O sangue de Isadora quase congelou.
O seu rosto mostrava uma confusão e um medo puros: — Tio, do que você está falando? Eu não entendo... O irmão que foi me buscar... O relatório do teste... teve algum problema?
Ela interpretou o seu sentimento de injustiça à perfeição.
Otávio não falou nada, e o seu dedo indicador no gatilho se moveu de leve.
— Bang!
A arma disparou.
Isadora fechou os olhos de vez, e o seu corpo tremeu muito.
Mas a dor que ela esperava não veio.
A bala raspou na sua orelha, levantou uma corrente de ar quente e acertou em cheio no alvo não muito atrás dela.
Na mosca.
Isadora abriu os olhos devagar. O seu rosto estava pálido como papel, mas nos seus olhos não havia nenhum colapso, apenas um frio de quem havia escapado da morte.
Ela olhou em silêncio para Otávio, que segurava a arma.
O ar parecia congelado.
Depois de muito tempo, Isadora perguntou com a voz seca: — Foi o teste de DNA, teve algum problema?
Otávio sorriu de repente.
Ele abaixou a arma, e aquele sorriso não era mais gentil ou distante como antes, mas carregava um ar de quem já via tudo, e até de quem brincava.
— E eu pensava...
Ele falou devagar, pegou o próprio celular, desbloqueou, abriu a tela de mensagens e colocou na frente de Isadora.
— Que você fosse me mandar mensagem ontem à noite.
Isadora baixou a cabeça para olhar. O que aparecia na tela era justo aquela mensagem de socorro que ela tinha mandado do banheiro há pouco.
Ela ficou atônita.
Mas ao olhar de novo o número que recebeu.
Era aquele contato de emergência que Bernardo tinha lhe dado.
Isso mesmo.
Isadora ficou totalmente confusa, com o cérebro em branco. Ela não conseguia entender aquela virada de repente.
O contato que Bernardo lhe dera, era o de Otávio?

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