— Você não se parece nem um pouco com a sua mãe.
Isadora sentiu a respiração dele roçar na pele de sua testa. Ela se forçou a ficar firme, não recuou e encontrou o olhar dele, respondendo de forma clara e calma: — Cada lugar cria as suas pessoas, as águas e as montanhas de Porto Sul são ásperas, o vento também é duro, e não criam a aparência gentil de uma moça da Cidade do Mar. Não é normal, tio?
Ela jogou a pergunta de volta com leveza.
O canto da boca de Otávio se moveu quase imperceptivelmente, e um sorriso de significado incerto passou.
Aquela pressão sufocante diminuiu um pouco.
Ele deu um passo para trás e indicou que Isadora se sentasse no sofá ao lado.
Isadora obedeceu.
Otávio serviu dois copos de água sem pressa e colocou um na mesa de centro na frente dela.
— Você se parece mais com o seu pai quando ele era jovem.
Isadora pegou o copo de água, tomou um pequeno gole, com os olhos claros mostrando uma confusão na medida certa: — É? Pena que eu ainda não vi o papai.
Otávio mudou de assunto. — Seus pais adotivos tratavam você bem? A vida em Porto Sul era muito difícil?
— Eles me amavam muito.
Isadora abaixou o copo, cruzou as mãos sobre os joelhos, com uma postura correta, e colocou um pouco de suavidade na voz. — Apesar de não terem muito dinheiro, me deram tudo o que podiam. Nunca faltou comida ou roupa para mim, e ainda me sustentaram para eu estudar e aprender a dançar.
Meia verdade e meia mentira, mas comovente o bastante.
Ela levantou os olhos para olhar para Otávio, com um olhar aberto.
— Havia dificuldades, mas meu coração estava em paz. Tio, me chamar de repente e perguntar essas coisas, você quer confirmar se eu sou mesmo a filha da Família Drummond?
Otávio não confirmou nem negou.
— Não é qualquer um que pode entrar na Família Drummond. Em algumas coisas, é melhor ser cuidadoso. — Ele mudou de assunto. — Você sabe jogar xadrez? O mordomo disse que aquela partida no coreto foi resolvida por você.
— Por acaso eu vi uma partida parecida e tive sorte.
Isadora respondeu com cuidado.
Otávio ouviu em silêncio, sem nenhuma expressão no rosto, sem deixar ninguém adivinhar se acreditava ou não.
O ar no quarto pareceu congelar por alguns segundos.
Apenas o barulho vago da cidade lá fora servia de som de fundo.

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