Se não deixasse Camila ficar toda orgulhosa, como ela cometeria erros?
Mas o acidente de carro de Thiago foi realmente um imprevisto.
Ela levantou a cabeça, encarando o olhar investigador dele. Os olhos eram límpidos, mas a voz carregava uma indiferença e uma clareza de quem passou por desilusões amorosas, criadas de propósito.
— Irmão, neste mundo, onde é que existe um amor até a morte? O amor de um homem simplesmente deixa de existir num piscar de olhos.
Ela virou o rosto levemente, olhando para a silhueta borrada das roseiras na escuridão ao longe. A voz soava tão baixa que parecia estar falando consigo mesma.
— Quando se ama, você pode enfrentar o fogo e a água, pode lutar contra o mundo por ela. Demonstra-se tão apaixonado e arrependido, batendo no peito e esperneando. Mas, quando não se ama, logo se encontram mil motivos. Responsabilidades familiares, pressão dos pais, preocupações reais, o chamado 'não tenho escolha'. Desculpas esfarrapadas se acumulam como uma montanha, tudo apenas para esconder um coração que há muito já mudou de lado.
Ela desviou o olhar de volta e olhou novamente para Lorenzo, com um toque oportuno e sutil de escárnio em seus olhos.
— Se ele escolhe outra pessoa, nunca é porque a outra é melhor ou porque ele não teve escolha. No fim das contas, é apenas porque ele não foi firme o suficiente comigo.
A frase foi dita com calma, mas trazia uma sobriedade e uma melancolia além da sua idade.
Lorenzo a observou com o olhar vacilando um pouco.
De repente, Isadora mudou de assunto, virando-se de costas, deixando para ele uma figura que parecia frágil e magra. A voz trazia um soluço imperceptível e uma inveja.
— Por isso, eu tenho muita inveja da Diana. Pelo menos, ninguém jamais me escolheu com tanta firmeza como você a protege.
Lorenzo olhou de soslaio para a silhueta frágil dela e não disse nada.
A brisa da noite passou, trazendo o cheiro fresco do banho que havia nela, misturado ao leve frescor da pomada.
Após um tempo, ele perguntou com a voz ainda mais baixa: — O que você viu agora há pouco?
Isadora virou a cabeça com um olhar límpido e inocente.
Ela apontou para o bule de porcelana branca que ele ainda segurava na outra mão e falou com naturalidade: — Vi que você estava vindo do caramanchão, segurando esse bule de chá.
— E o que mais?
Ele deu um passo à frente, numa distância tão próxima que ambos podiam sentir a respiração um do outro.

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