Dito isso, Isadora saiu do escritório. Lorenzo continuou fixado no rastro dela.
Isadora voltou ao quarto. Qualquer traço de piedade ou empatia desapareceu. Esse tipo de sentimento era para pessoas emotivas. Ela não era assim, mas sabia fingir.
Ela deitou-se na cama macia e continuou a jogar "Catch the Goose". Seus braços já estavam cansados. Finalmente, nos últimos dez segundos, ela passou de fase.
No dia seguinte, pela manhã.
A atmosfera na casa dos Drummond estava ainda mais pesada. Após o incidente com Bia Camargo, Helena ordenou que os filhos fossem juntos para a escola.
Isadora acordou cedo. Vestiu um vestido de gola alta, mantendo uma palidez proposital no rosto. Ela se movia devagar, mancando um pouco, e pegou uma caixa de leite antes de ir para a garagem.
O carro da família já esperava. No banco de trás, a janela estava meio aberta, revelando o perfil sério de Lorenzo. Ele estava de uniforme, mas parecia mal; estava pálido e com olheiras de quem perdeu sangue.
Ele estava com os olhos fechados, descansando, exalando uma aura de "não se aproxime".
Isadora o observou por um segundo, avaliando a situação. Ela abriu a porta traseira do outro lado e sentou-se.
Ela não iria no banco da frente. Se houvesse um acidente, o passageiro da frente morreria primeiro.
Diante de Lorenzo, mesmo que ele parecesse fraco, ela não baixaria a guarda. Estava em alerta máximo.
O vestido de Isadora era justo, o que dificultava um pouco seus movimentos ao entrar no carro. Sem querer, seu joelho bateu na caixa de leite. Algumas gotas do líquido branco espirraram na manga do uniforme impecável de Lorenzo.

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