Lorenzo ficou em silêncio por um instante, como se precisasse de tempo para processar as palavras dela. Sua expressão escureceu.
— Você acha que eu causei o incêndio para te atingir?
Isadora baixou os olhos e não respondeu. Lorenzo caminhou até a beira da cama, projetando sua sombra sobre ela.
— Por que não pediu para eu te salvar antes?
— Se eu pedisse, você salvaria?
Lorenzo pareceu engasgar com a pergunta. Uma raiva complexa passou por seus olhos. Ele deu um sorriso amargo:
— Nem tentou. Não teve medo de ficar deficiente ao pular daquele andar?
— Alguém como eu não tem nada a perder.
Isadora desviou o olhar. Sua garganta doía de sede. Ela afastou o cobertor e tentou descer da cama, mas soltou um gemido de dor assim que os pés tocaram o chão. Seu corpo oscilou e suas pernas fraquejaram.
Lorenzo deu um passo rápido e segurou o braço dela. A mão dele estava quente, com calos de atividades físicas, e o aperto era forte o suficiente para machucar um pouco. A mão de Isadora, por outro lado, estava fria. O contraste térmico era nítido.
— O que vocês estão fazendo? — Uma voz suave, mas claramente descontente, veio da porta.

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