A sala de aula estava estranhamente silenciosa.
Quando Isadora entrou, os sussurros cessaram de repente.
Inúmeros olhares se voltaram para a gaze em sua testa.
Curiosidade, pena.
Claro, a maioria era de puro deboche.
Isadora ignorou tudo e foi direto para o seu lugar.
A garota ao lado estava vermelha de encanto: — Isadora, seu irmão veio trazer remédio para você agora pouco.
A garota se lembrou do jeito gentil que Bernardo falou com ela e ficou um pouco tímida.
Afinal, Bernardo era o cara mais bonito de Porto Sul, mais famoso até que Thiago.
Uma figura popular, cheio de admiradoras.
Embora não fosse tão rico quanto a família Albuquerque, Bernardo ia muito bem nos estudos.
Quem sabe um dia ele abriria sua própria empresa e se tornaria um CEO frio e implacável de livro.
Era uma pena que a filha do diretor tivesse chegado primeiro.
Quanto mais a garota pensava, mais frustrada ficava.
Se pudesse namorar um cara como Bernardo na adolescência, ela se gabaria a vida toda.
Isadora tinha muita sorte de ter um irmão tão perfeito, e antes ainda era paparicada daquele jeito pelo Thiago.
— Isadora, seu irmão ainda está namorando a filha do diretor?
Isadora parou de arrumar a mochila para ir embora e, após um momento, respondeu com a voz fria:
— Não faço ideia, não sei.
— Ah... — A garota ao lado pareceu não aguentar a fofoca e, num tom de quem quer ver o circo pegar fogo, baixou a voz para contar: — Isadora, o Thiago e a Camila faltaram. Falaram que a Camila não se sentiu bem e o Thiago a levou para o hospital.
Isadora não parou de se mexer em nenhum momento.
Como se tivesse ouvido nomes que não tivessem nada a ver com ela.
Ela enfiou o remédio que Bernardo trouxe na mochila e enfiou a mão na gaveta da carteira, tateando a ponta dos dedos por entre a bagunça de livros e provas.
Por fim, tocou em um objeto frio e liso.
Ela o tirou.

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