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Vingança servida a frio romance Capítulo 2082

Na residência Chu, uma senhora idosa cuidava de sua horta.

Ela estava ocupada arrancando ervas daninhas, adubando, arando e regando.

Já fazia muito tempo que ninguém vinha visitá-la. Era como se estivesse perdida nas areias do tempo.

Ela levava a mesma vida, com a mesma rotina, há muitos anos, e sabia que continuaria assim pelo resto de seus dias.

A única criatura viva que permanecia ao seu lado era o grande cachorro preto, de olhar ingênuo e encantador.

Curiosamente, esse cachorro preto parecia exatamente igual ao que era quando Ye Fan morava na residência Chu, dez anos atrás.

Depois de tantos anos, não havia sinais de envelhecimento no animal, e ele parecia quase o mesmo de uma década atrás.

O tempo parecia não deixar marcas naquele cachorro.

Era bem cedo pela manhã.

O cachorro preto ainda dormia. Estava deitado nos degraus de pedra da entrada principal, com as orelhas caídas cobrindo os olhos.

Dona Chu olhou para o cachorro e balançou a cabeça, sorrindo. “Você é mais preguiçoso que meu bisneto! Olha a hora, ainda dormindo? Esse mau hábito de dormir até tarde nunca mudou, mesmo depois de tantos anos.”

Ao observar o cachorro à sua frente, Dona Chu pensou novamente em seu bisneto. O bisneto que ela mais amava.

De repente, sentiu uma pontada no coração, e uma expressão de tristeza cruzou seu rosto enrugado.

Já passava dos cem anos e havia sobrevivido a todas as adversidades da vida.

Deveria estar acostumada a ver doenças e mortes.

No entanto, ao receber a notícia da morte de Ye Fan, não conseguiu evitar uma tristeza profunda.

Sempre que pensava nisso, seus olhos se enchiam de lágrimas.

“Ai... Aqueles desgraçados acabaram matando meu bisneto. Ele era um menino tão bom. Se estivesse vivo, teria conquistado feitos ainda maiores que o Sr. Yunyang.” O coração de Dona Chu estava tomado pela dor.

Mesmo depois de tantos anos, a queda de Ye Fan era uma ferida em seu peito que jamais cicatrizava.

Enquanto Dona Chu se afundava na tristeza, o grande cachorro preto que dormia nos degraus de pedra de repente ergueu as orelhas caídas.

No instante seguinte, saltou de repente e correu até a porta como um louco. Começou a latir alto e animado, abanando o rabo como um cata-vento.

“Ei! Por que está tão agitado?” Dona Chu se assustou com o movimento do cachorro.

Logo depois, ouviu barulhos vindos da porta, e uma voz familiar chegou aos seus ouvidos.

“Bisa, sou eu, seu bisneto, Chu Tianfan. Vim te ver. Pode abrir a porta para mim?”

O silêncio se instalou.

“Bisa, sou eu, seu bisneto, Chu Tianfan...”

Uma voz baixa e respeitosa soou do lado de fora.

Toc!

A enxada nas mãos de Dona Chu caiu no chão e acertou a perna do cachorro preto.

O cachorro soltou um latido dolorido, mas Dona Chu nem se importou com isso.

Ficou parada por um longo tempo antes de correr em direção à porta. Moveu-se com tanta agilidade que não parecia uma senhora centenária.

Assim que abriu a porta, uma figura magra apareceu diante dela. Finalmente, ela viu o rosto que tanto sonhara, dia e noite. Aquela anciã, já no entardecer da vida, não conseguiu mais conter a emoção.

Seu corpo começou a tremer, os olhos ficaram vermelhos. Olhou para o homem ajoelhado diante da porta e perguntou, com cautela: “Ye... Ye Fan?”

Ye Fan levantou a cabeça. O rosto outrora imponente e confiante agora estava cheio de culpa e fragilidade.

Afinal, diante da bisavó, ele ainda era apenas uma criança — uma criança que ansiava por alguém em quem se apoiar e que cuidasse dele.

As pessoas de Jiangdong e Eigetsu podiam contar com Ye Fan. Até Lauren Xu e Qiu Mucheng dependiam dele para protegê-las.

Mas, quando Ye Fan estava cansado e ferido, em quem ele podia confiar?

Claramente, aquela senhora à sua frente era a única pessoa em quem ele podia se apoiar.

Ye Fan se levantou e se jogou em seus braços.

Enterrando o rosto no colo de Dona Chu, Ye Fan falou com a voz embargada: “Bisa, me desculpe. Não devia ter feito você se preocupar comigo.”

Dona Chu acariciou suas costas, sorrindo com lágrimas nos olhos. “Está tudo bem. Fico feliz que tenha voltado para casa. Achei que nunca mais te veria.”

Au! Au! Au!

Ye Fan, jogado longe pelo cachorro, viu a cena e ficou furioso.

“Saia daqui, cachorro idiota!” gritou Ye Fan.

Ao mesmo tempo, correu, pegou o cachorro preto e o jogou para fora do quarto. Depois, bateu a porta com força.

Está brincando? Eigetsu é minha! Não vou deixar ninguém ver o corpo dela! Nem mesmo um cachorro!

“Eigetsu, eu...” Ye Fan ainda estava um pouco envergonhado e sentia-se mal por ela.

Suzumiya Eigetsu corou e desviou o olhar, tímida. “Meu corpo é seu...”

O significado de suas palavras era claro.

Já que ela pertencia a Ye Fan, não havia problema em ele ver seu corpo.

Se Ye Fan quisesse que ela lhe desse um filho, ela aceitaria de bom grado.

“Desculpe, Eigetsu. Vou te despir agora.”

Ye Fan entendeu que o mais importante era tratar o ferimento dela, nada mais.

Com cuidado, tirou o vestido manchado de sangue de Eigetsu e limpou o sangue e a sujeira de sua pele com uma toalha.

Depois de remover as roupas e limpar as manchas de sangue, o corpo nu da Deusa da Lua ficou exposto diante dos olhos de Ye Fan.

Era a primeira vez que Ye Fan via o corpo de uma mulher tão de perto.

Não podia negar que as curvas de Eigetsu eram extremamente atraentes.

Ela parecia um anjo celestial, com a pele alva como a neve, sem um grama de gordura desnecessária.

Era tão perfeita que parecia uma pintura.

Sua beleza era suficiente para encantar qualquer homem.

Ye Fan provavelmente era o único capaz de resistir a tal tentação. Exceto pelo toque inevitável ao limpar o sangue, ele não passou dos limites em nenhum momento.

Do lado de fora, o grande cachorro preto espiava pela fresta da porta, babando de inveja.

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