Ondas suaves se espalharam pelo tranquilo Lago Oeste, indo e voltando. Qiu Mucheng, que havia perdido as esperanças e queria se afogar, de repente percebeu que estava flutuando sobre a água.
Correntes de energia emanavam das ondulações, sustentando-a na superfície.
Ela ficou atônita e confusa diante daquela cena estranha, mas ao mesmo tempo, sentia-se arrasada.
“Por quê? Por que não me deixam ir ao encontro de Ye Fan? Por que me obrigam a continuar sofrendo neste mundo?” Qiu Mucheng começou a chorar desesperadamente.
Ela buscava o fim da própria vida, e ao perceber que nem mesmo a morte era uma opção, perdeu o controle.
“Se você não teme a morte, por que teme o sofrimento?” Uma voz profunda perguntou enquanto Qiu Mucheng chorava copiosamente.
Tão absorta em seus pensamentos, ela nem percebeu que um homem havia aparecido à beira do lago. Ele vestia um longo casaco cinza, tinha porte robusto e expressão severa. Parecia um homem de meia-idade marcado pelas experiências da vida.
Observando-a chorar, ele de repente fez um gesto com o braço, e algo inacreditável aconteceu. A água, obedecendo ao seu comando, levou Qiu Mucheng de volta à margem.
Sem palavras, ela ficou olhando fixamente para o homem. Normalmente, era uma mulher cautelosa, sempre desconfiada de estranhos. Mas, por algum motivo, sentia uma estranha familiaridade com aquele homem. Parecia alguém que já conhecera antes, e não sentiu necessidade de se proteger dele.
“Q-Quem é você? Já nos conhecemos?” ela perguntou hesitante, com o rosto bonito ainda marcado pelas lágrimas.
O homem soltou uma risada. “Você pode não me conhecer, mas eu conheço você. Você é Qiu Mucheng, não é?”
Ele sorriu gentilmente enquanto a observava dos pés à cabeça. Satisfeito com o que via, assentiu em aprovação e murmurou: “Hmm, ele tem bom gosto. Muito bonita mesmo! Não me decepcionou.”
Qiu Mucheng franziu o cenho e imediatamente ficou alerta. “O que você quer?”
O homem riu novamente. “Por quê? Você não teve medo quando buscava a morte, mas agora teme encontrar alguém perigoso? Se eu te matasse, não estaria te fazendo um favor? Afinal, era isso que você queria, só pouparia seu trabalho.”
Qiu Mucheng ficou sem reação diante das palavras dele, sem conseguir responder à altura.
“Por que jovens como você recorrem ao suicídio tão facilmente? Aquele tolo fez isso, e agora você. Quando poderei parar de me preocupar com vocês?” O homem suspirou, exasperado.
Qiu Mucheng rebateu: “Antes de julgar alguém, tente se colocar no lugar dela. Você não faz ideia do que passei, então não pode entender minha dor. Não tem direito de me julgar. Se não tem outro motivo para estar aqui, por favor, vá embora. O que faço não diz respeito a você.”
Dito isso, ela se virou, ignorando o estranho.
Mas ele não parecia disposto a ir embora. Balançou a cabeça e sorriu. “Sofrimento? O que você sabe sobre sofrimento nessa idade? O pior que enfrentou foram problemas de relacionamento; isso não é nada.”
Ele minimizou seus problemas com um sorriso, como se tudo que ela tivesse vivido não passasse de pequenos aborrecimentos.
Qiu Mucheng preferiu ignorá-lo. Não esperava compreensão dos outros, pois cada um tem suas próprias prioridades. O que pode ser o fim do mundo para alguém, para outro pode não significar nada.
“O mais doloroso em um relacionamento é ser separado para sempre pela morte. E se eu te dissesse que a pessoa que você ama ainda está viva?” continuou o homem.
Isso fez Qiu Mucheng parar imediatamente. Ela se virou, surpresa, encarando o homem. Não esperava que ele soubesse o que a afligia.
“Então por que ele não veio me procurar?” perguntou ela, os olhos marejados de tristeza.
“Procurar você? Por que faria isso? Você mal consegue cuidar de si mesma, o que poderia fazer por ele? Se ele viesse atrás de você, talvez só te colocasse em perigo. Não percebe que aquele tolo sempre fez de tudo para te proteger? Para ele, você é uma flor delicada que precisa ser mantida em segurança. Os problemas que ele enfrenta estão além do seu alcance. Ele não quer te envolver nisso e, para ser sincero, você também não conseguiria lidar.”
Apesar das palavras duras, Qiu Mucheng sabia que ele estava certo. No fundo, reconhecia que não era capaz e sempre precisava de ajuda e proteção.
“Tudo bem! Eu vou com você!” Ela cerrou os punhos, com um olhar determinado e orgulhoso.
O homem assentiu, satisfeito com a decisão. “Ótimo. Vamos buscar o pequeno.”
“Pequeno?” Qiu Mucheng ficou confusa.
“O filho seu e do Ye Fan! Vai deixá-lo para trás, tornando-o órfão? Não podemos esperar que o pai cuide dele, então preciso assumir essa responsabilidade.” O homem finalmente revelou sua verdadeira intenção.
O principal motivo de sua viagem era buscar Qiu Mufan. Ele sabia que os descendentes da família Chu tinham grande potencial. Para que o pequeno Fan pudesse desenvolver todo o seu talento, precisava de orientação e treinamento desde cedo.
Quanto ao que prometera a Qiu Mucheng, era apenas um bônus que poderia oferecer facilmente.
“Já é tarde. Eu o mandei embora,” respondeu ela.
“O quê? Você mandou meu net... digo, o pequeno embora! Quem o levou?” Os olhos do homem se arregalaram de surpresa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vingança servida a frio
Esse site é porcaria, comprei moedas mas fica dando erro pra carregar o novo capítulo...
No aguardo da continuação...