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Vingança servida a frio romance Capítulo 1998

Já era final de outono.

A brisa fria varria as folhas caídas no pátio, tornando o lugar ainda mais deserto.

Fazia muito tempo que ninguém aparecia por ali.

Com o vento, camadas espessas de poeira que repousavam nos degraus dançavam no ar.

— Noa, o que você está olhando?

No pátio estava Noa, envolta em um sobretudo que realçava sua silhueta esguia.

Seu rosto inocente e juvenil agora trazia traços de inteligência e maturidade.

Ao seu lado, Geetha, com uma mochila pendurada nas costas, olhava intrigado para a bela mulher à sua frente.

Desde que Noa prometera a Ye Fan cuidar do garoto e de seus avós, ela sempre buscava Geetha na escola, não importava o quão ocupada estivesse.

No caminho de volta, ela sempre parava no mesmo lugar e ficava ali por um bom tempo.

No entanto, não falava nem se movia. Apenas permanecia parada, olhando à distância.

— Nada — Noa sorriu suavemente e sentou-se nos degraus de pedra diante da porta.

Ela afagou a cabeça do garoto e perguntou baixinho: — Geetha, tem alguém que você gostaria de ver? Alguém que você quisesse encontrar todos os dias?

Geetha pensou um pouco antes de responder: — Acho que minha avó.

Ela sorriu de novo. — Que menino bom.

Os dois ficaram ali sentados por um tempo, observando o céu escurecer lentamente e os raios do pôr do sol tingirem a terra de vermelho.

Noa se virou e olhou para dentro através de uma pequena fresta na porta. Depois de lançar um último olhar ao pátio, levantou-se de repente.

— Vamos, Geetha — disse ela, preparando-se para ir embora.

Geetha, porém, era esperto. Já tinha percebido algo. — Noa, tem alguém aí dentro que você quer muito ver, não é? Por que você não entra e fala com essa pessoa? Você é tão bonita. Tenho certeza de que todos gostam de você e vão querer te conhecer.

Noa balançou a cabeça. — Não sou tão especial assim. Talvez, para ele, eu seja só mais uma entre tantos outros.

Ao dizer isso, seus olhos se encheram de tristeza.

Ela sentia inveja de Qiu Mucheng, afinal, ela era a esposa de Ye Fan.

Também admirava Junie, pois Ye Fan tratava a Deusa da Floresta como uma parente. A deusa podia abraçá-lo e se aproximar dele sem restrições.

Mas, acima de tudo, ela queria ser Tsukuyomi Tenshin. Embora a Deusa da Lua não pudesse estar com seu mestre, podia beijar Ye Fan sem se importar com as regras do mundo.

Quanto a Noa, ela não ousava fazer nada.

Além disso, sentia que não era nada para Ye Fan.

Acreditava ser apenas alguém insignificante na vida dele.

Por mais triste que ficasse, esse sentimento de desânimo durava pouco.

Logo depois, Noa o reprimia.

É melhor ser grata pelo que tenho. Viver assim não é tão ruim. Mesmo que eu não possa ver Ye Fan e saiba que não tenho lugar no coração dele, pelo menos sei que ele está por perto.

A sensação de ter alguém de quem gostava por perto era maravilhosa.

Era o suficiente, mesmo que só pudesse visitar o lugar discretamente para vê-lo de longe.

Por algum motivo, Noa aguardava ansiosamente o entardecer todos os dias.

Ela se sentava do lado de fora do pátio de Ye Fan com Geetha ao seu lado, e juntos assistiam ao pôr do sol e ao horizonte se iluminar.

Todas as preocupações e o cansaço desapareciam naquele instante.

Era como se aquele lugar tivesse se tornado seu refúgio, onde podia depositar todas as suas esperanças.

— Pronto, hora de voltar ou sua avó vai ficar preocupada — disse Noa, puxando a mão de Geetha e seguindo pela estrada.

Nesse momento, a porta, que estava fechada há quase meio ano, se abriu de repente.

— Hã? Será que...

Noa ficou tensa ao ouvir a voz.

Paralisada, virou-se lentamente.

Ye Fan ficou surpreso com o comportamento dela e perguntou curioso: — O que está acontecendo, sua danadinha? Por que está tão estranha comigo? Resolveu se afastar do amigo pobre depois que virou chefe da família?

Enquanto brincava, deu um tapinha de leve nas costas dela.

— Ai! Isso dói! — Ela fez um bico em protesto e revidou do mesmo jeito.

Ye Fan sorriu na hora. — Agora sim! Essa é a mesma garota travessa que conheci no restaurante.

Noa também sorriu, feliz.

A sensação de distância sumiu imediatamente.

Esse cara continua tão acessível quanto antes, como aquele colega de carteira da escola.

Ela não conseguia acreditar que o homem à sua frente era o mesmo que todos temiam só de ouvir o nome.

— Vamos. Hora de ir para casa jantar! — anunciou Geetha, radiante. Ele segurou a mão de Ye Fan com uma mão e a de Noa com a outra, enquanto caminhavam pela longa estrada sinuosa da Índia.

As sombras dos três se alongavam ao pôr do sol.

Anos depois, Noa se lembraria com carinho desse momento ao lado de Ye Fan, ambos banhados pelos raios do entardecer.

Era quente e tranquilo.

No entanto, ela não sabia que provavelmente seria a última vez que sentiria paz naquele refúgio.

Afinal, Ye Fan havia retornado.

Chu Tianfan, o homem derrotado na batalha do Mar do Leste e mestre do Salão do Deus Dragão, que havia cravado uma espada em si mesmo, estava de volta.

Desta vez, ele retornava ao mundo mais forte e determinado do que nunca.

Ele estava prestes a surpreender o mundo mais uma vez.

Enquanto isso, três carros de luxo percorriam as ruas de Livingsfill, em Jiangbei.

Eles finalmente pararam em frente a um condomínio.

— Sr. Li, chegamos. Segundo as informações, a Sra. Chu mora aqui.

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