Tudo bem, ele admitiu que sempre gostou, tanto antes quanto agora! Havia até um ou outro método que costumava usar para castigá-la, mas não podia simplesmente pegar esses itens e assustar aquela mulherzinha!
Além disso, depois de tanto esforço para finalmente se tornarem um casal normal, se fosse puni-la só porque ela não decorou vocabulário, não seria de se estranhar se ela fugisse de medo!
“Retiro o bônus! Vou descontar dois meses do seu salário.”
“Mas você também gosta disso…” Pablo resmungou, à beira das lágrimas.
Pronto, achando que esses métodos ajudariam o chefe a educá-la.
Agora não só perdeu o bônus, como até seu próprio salário entrou na dança.
“Se você assustar minha esposa e ela fugir, você também está fora!” Eduardo lançou um olhar fulminante para Pablo antes de sair do escritório.
Eduardo dirigiu velozmente pela estrada.
Com o endereço fornecido pelo mordomo, foi direto da empresa até onde Yara estava.
Chegou o mais rápido que pôde, parou o carro na calçada e, guiado pelos seguranças, entrou na lan house.
Eduardo se aproximou silenciosamente da cabine dela, parou atrás e ficou observando-a por um tempo.
Yara, de fone no ouvido, estava totalmente concentrada no jogo, de vez em quando gritando: “Acaba com esse safado!”
Sem perceber nada, Yara descontava sua raiva batendo no inimigo do jogo, como se fosse o próprio Eduardo.
Jogada após jogada, grito após grito.
Atrás dela, o rosto de Eduardo estava sombrio, emanando uma aura gelada, seus olhos negros fixos na tela e na pequena mulher à sua frente.
Depois de um tempo, Eduardo estendeu a mão e tirou o fone do ouvido dela. Yara virou-se num sobressalto, deparando-se com o olhar frio e penetrante de Eduardo…
Como aquele homem estava ali? Desde quando ele estava atrás dela?
Será que tinha ouvido tudo o que ela dissera?
Yara piscou nervosa, os belos olhos inquietos, clicando o mouse sem parar.
“O que você está fazendo aqui?”
“Quantos inimigos você já derrotou?” Eduardo perguntou de repente.
“Exterminei todos, foi uma vitória total.” Yara lançou-lhe um olhar de ódio, rangendo os dentes.
Eduardo soltou um risinho frio. “Transformou todos aqueles sujeitos em mim?”
“Hehe!” Yara respondeu com um sorriso forçado.
Você é muito pior do que eles, só para deixar claro!
“Terminou? Então já deve ter se acalmado. Vamos para casa!” Eduardo tirou o headset do pescoço dela e a puxou para se levantar.
“Não me importo se você quiser me bater de verdade em casa!”
Eduardo sussurrou ao pé do ouvido dela. “Se não tiver coragem de me bater, pode me devorar!”
Ha, esse homem não tem mesmo vergonha. Achava que Yara não ousava bater nele? Não seria a primeira vez!
“Já terminou de decorar o vocabulário?”
“Você não está vendo que eu ainda estou brava, querendo me divorciar?” Yara levantou os olhos e o encarou.
“Tenta falar em divórcio de novo para ver o que acontece.” Eduardo abaixou a cabeça, ameaçando-a com sua presença dominante.
“Você vai dizer de novo que vai quebrar minhas pernas ou acabar comigo, não é?” Ela já estava acostumada com as ameaças dele, que só serviam para assustar. Ela não tinha medo!
Antes de ir embora, parou diante de uma enorme tela a óleo, olhando fixamente por um bom tempo. A técnica não era especialmente refinada, nem o quadro era particularmente brilhante, e Yara não entendia por que o tio Frederico pendurara justamente aquela obra no centro mais visível.
Ela suspeitou que era porque o quadro tinha uma história importante por trás.
“Gosta desse quadro?” Frederico apareceu ao seu lado, uma mão no bolso.
“Tio!” Yara cumprimentou educadamente.
“Não é que eu goste muito, esse estilo é bem comum, mas a imagem é bonita.” Yara falou sinceramente, e depois de pensar um pouco, perguntou: “Você colocou aqui por algum motivo especial?”
Na inauguração, ela já havia notado esse quadro, e na época Eduardo também ficou um bom tempo diante dele.
“Essa é a garota por quem sempre fui apaixonado, ao lado está o menino de quem ela gostava.” Frederico falou num tom levemente amargo de nostalgia.
A pessoa que ele sempre amou?
Yara entendeu que o motivo do tio Frederico nunca ter se casado era a garota do quadro.
“A história é triste?” Yara perguntou, sorrindo com os olhos semicerrados.
“Não necessariamente, ainda não chegou ao fim.” Frederico mordeu os lábios, com um olhar de esperança.
A pintura, para Yara, transmitia uma sensação de beleza, tanto na imagem quanto na história, mas a explicação de Frederico a surpreendeu.
“Quer conhecê-la?” Frederico perguntou.
Frederico queria que Yara conhecesse Viviana; afinal, eram mãe e filha, ligadas pelo sangue, e talvez isso ajudasse na doença de Yara.
Queria aproveitar a oportunidade para que elas se encontrassem.
“Claro!” Yara nunca recusava uma chance de fazer amigos, ainda mais com um certo interesse em ouvir histórias.

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