Dona Regina trouxe o jantar para Yara Franco naquela noite. “Senhora, aqui está o seu jantar!”
Quando Yara percebeu que entre os pratos não havia a sopa de que Dona Regina falara, ela franziu a testa e perguntou: “Dona Regina, por que não tem sopa?”
Só serviam sopa para aquelas duas mulheres e não para ela?
Dona Regina sorriu, um pouco constrangida. “Não sabia que a senhora queria, então não servi. Vou descer agora e trazer para você.”
Que absurdo, claro que ela queria. Por que só aquelas duas tinham direito? Ela acenou com a mão. “Não precisa, não precisa, eu mesma desço para tomar.”
Ela não se conformava. Por que aquelas duas riam tão felizes lá embaixo enquanto ela teria que ficar escondida no quarto comendo sozinha?
Aquela ainda era sua casa, enquanto não houvesse divórcio continuava sendo, e ela era, sim, a dona do lar!
“Está bem, está bem!” Dona Regina sorriu com carinho, feliz por ver que a senhora finalmente aceitara jantar na sala.
À mesa, Pablo servia animadamente sopa e comida para as duas mulheres, como se temesse que faltasse algo para elas.
Yara, aborrecida, não conseguiu conter o sarcasmo: “Sr. Pablo, você toma tanta sopa para fortalecer… vai ajudar seu chefe a ter filhos com o bumbum?”
“Cof, cof…” Pablo se engasgou com a sopa nutritiva, largando a tigela imediatamente.
Ele só achava que uma sopa feita com ingredientes finos merecia ser degustada em dobro, para recuperar o susto dos últimos dias com o chefe.
Mas nunca imaginou que Yara, com aquele jeito inocente, fosse capaz de dizer algo tão ácido, até mais que o próprio patrão.
No íntimo, pensou: realmente, são perfeitos um para o outro!
Yara torceu os lábios e, provocadora, indagou: “E aquele homem nem voltou, como vai fazer filho para elas?”
“Dona Henriques, o Diretor Henriques quer que elas cuidem da saúde primeiro, para recebê-lo em plena forma,” Pablo respondeu com um sorriso constrangido.
“Ha!”
Yara soltou um riso frio!
Então, arqueando levemente as sobrancelhas, olhou de lado e falou calmamente: “Achei que era você quem ia fazer esse serviço para ele, ajudar elas a engravidar!”
“Dona Henriques… eu… eu…” Pablo ficou sem palavras, totalmente travado.
Não tinha coragem de se irritar, estava quase sendo massacrado pelas provocações dela!
Yara continuou, impiedosa: “E… quantos filhos já passaram por aquelas casinhas delas?”
“Elas já fizeram plástica?”
“Se nascer uma criança diferente do esperado, como você vai explicar para seu chefe…”
“Será que elas são limpas?”
“Elas vivem desse negócio?”
“……”
No escritório, Pablo já sofria o bastante com o chefe, mas não esperava que Yara também não lhe desse trégua.
Eduardo Henriques achava que essas atitudes a irritariam, forçando-a a ceder e querer engravidar, mas, no fim, era o assistente quem mais sofria!
Pablo só pensava em pedir aumento ao chefe!
Eduardo hesitou um pouco antes de responder: “Então que fique aqui, continuando o tratamento conservador.”
Ele olhou para Viviana, que murmurava sozinha atrás da porta do quarto, e sentiu uma pontada de compaixão. Parecia que aquela vingança já não fazia tanto sentido; Viviana já havia sofrido bastante nesses vinte anos, pagando o preço pelos próprios erros.
“Será que podemos avisar Yara? Talvez, ao ver a mãe, Viviana melhore.” Frederico sugeriu, segundo a orientação médica.
“Vou pensar.”
Eduardo não respondeu de imediato, receando que Yara não suportasse ver a mãe naquele estado.
Saindo do hospital, Eduardo voltou ao escritório e encontrou Liana Guerra sentada no sofá da área de descanso.
“O que você está fazendo aqui?” Eduardo perguntou friamente.
O contrato de Liana com a agência de joias JS estava para vencer.
Depois de conversar com o agente e o advogado, Liana subiu sozinha ao trigésimo oitavo andar para encontrar Eduardo.
“Eduardo!” Liana levantou-se imediatamente, sorrindo docemente, a voz suave.
Eduardo lançou-lhe um olhar de desprezo, o tom gelado: “Não te avisei que não podia entrar no meu escritório?”
Liana aproximou-se lentamente, fingindo preocupação. “Eduardo, ouvi sua tia comentar sobre o que está acontecendo entre você e ela…”
Diana Gomes Henriques contara a Liana que Fábio Henriques queria logo um bisneto, mas Yara não engravidara em um ano, o casal brigava e Eduardo estava dormindo no trabalho…
Eduardo virou-se, bufando, e a questionou: “O que aconteceu comigo?”
Liana o abraçou por trás, e falou com voz fraca: “Eduardo, eu estou disposta a ter um filho para você, mesmo sem reconhecimento oficial…”

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