Ácido fólico, uma coisa tão boa assim, ela precisava se esconder dele para tomar?
"Me dá isso!", ele repetiu.
Yara levantou a cabeça, assustada, e se deparou com o olhar frio e sombrio dele!
Seus cílios tremiam de medo, ela engoliu em seco, nervosa. Flagrou-se no ato, não tinha como esconder mais. Sem vontade nenhuma, entregou a cartela de comprimidos que segurava nas mãos.
Eduardo viu que na embalagem estava escrito: anticoncepcional!
"Anticoncepcional?!" Os olhos negros de Eduardo pareceram sofrer um golpe devastador.
Essa mulher, que audácia, tomava anticoncepcional escondida dele!
Será que ela não sabia o quanto ele queria um filho, a ponto de enlouquecer?
Ele ainda pensava que o problema era dele!
Nos últimos seis meses, para ter um filho saudável e inteligente, ele mudara todos os hábitos: sua rotina estava regrada, ele não tocava em álcool em festas, bares ou reuniões. Era tão certinho que nem parecia consigo mesmo.
Ele sonhava todos os dias que ela engravidasse dele, fazia preces, mas nunca imaginou que ela estivesse tomando anticoncepcional às escondidas!
Ele sorriu sinistramente, encarando-a com frieza: "Yara, você queria me convencer que isso era ácido fólico?"
"Você ainda tem coragem de tomar anticoncepcional?"
Sua voz saiu abafada, controlada, mas carregada de uma fúria profunda.
"Eu…"
Yara ficou ainda mais apavorada!
Prendeu as mãos dela acima da cabeça, pressionou-se fortemente sobre ela.
Eduardo perguntou, com o coração ferido: "Yara, você não disse que me amava, que não ia se divorciar de mim? Por que nem ter um filho você aceita?"
Ao ver a dor nos olhos de Yara, ele sentiu que, no coração dela, não tinha lugar algum. Todo o amor que ela dizia sentir parecia ser só da boca pra fora.
Ela forçou um sorriso amargo, querendo finalmente dizer tudo o que guardava no peito. "Porque você, mais cedo ou mais tarde, vai se vingar do meu pai e machucar minha mãe. Eu não quero ficar presa a você por causa de um filho!"
Eduardo ficou paralisado por um instante, então afrouxou o aperto nos pulsos dela. "Por que ainda pensa em me deixar?"
Lhe dera todo o carinho e amor que podia. Até aceitara o fato de ela ser filha da inimiga Viviana...
Yara, à beira do desespero, gritou, dilacerada: "Eu tenho medo de morrer nas mãos de você e da sua mãe todos os dias. Tenho medo de acordar um dia e estar de novo internada numa clínica psiquiátrica. Tenho medo que meu filho cresça sem a mãe, igual aconteceu comigo..."

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