Enzo se abaixou e a pegou.
—
Depois de sair do hotel, Beatriz foi direto para o crematório.
Após cremar a filha, usou o restante do dinheiro para comprar um túmulo na praia.
De frente para o mar, com uma visão ampla.
Ela esperava que, na próxima vida, a filha pudesse se tornar uma gaivota livre, voando para onde quisesse.
Sem precisar mais ser torturada pela dor, presa em um quarto de hospital apertado esperando a morte.
A filha estava livre.
E ela também.
Beatriz ficou ao lado da filha até a noite, e só então saiu do cemitério.
Ela passou no hospital para organizar os pertences da filha antes de voltar para a casa da Família Valente.
Se contasse, ninguém acreditaria. Morando em uma mansão, ela não conseguia sequer tirar reles vinte mil de custo do funeral.
As luzes da mansão estavam acesas.
Os empregados estavam ocupados com os seus afazeres e conversavam.
Quando Beatriz entrou, ninguém lhe deu atenção.
Ela já estava acostumada, e subiu as escadas sozinha.
Atrás dela, vieram comentários de desdém:
— Ela é muito sem-vergonha. O homem já não a quer mais, e ela ainda fica se agarrando a ele.
— Pelo menos o título é bonito para falar lá fora. Ela não ia abrir mão disso.
— Ah, ela também dá pena. A filha era toda doente. Se fosse eu, preferia estar morta.
Com um estrondo, um vaso foi espatifado com força aos pés das pessoas que falavam.
Os cacos voaram, e as pernas de alguns logo sangraram.
Beatriz estava parada no topo da escada. O rosto excessivamente pálido tornava os olhos escuros ainda mais sombrios e assustadores, como um demônio.
Ela encarou fixamente aqueles que falavam, com uma voz extremamente rouca: — Se falarem da minha filha de novo, eu rasgo as bocas de vocês.



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