Casamento arranjado.
Acordo.
Bebê por contrato.
Uma dívida herdada.
Mentiras e obsessão.
Morgan perdeu os pais em um acidente e descobriu que eles a deixaram uma dívida como herança. Sem lar, trabalho ou familiares, teve que se render ao encanto de um dos amigos mais antigos do pai, Oscar Jones.
Oscar viveu sua vida muito bem, atrás das câmeras, sem chamar atenção. Um homem que só pensava em trabalhar, após os olhos na filha única do seu amigo, que morreu, usaria a dívida que ele deixou para ter o que desejava. Morgan.
Ele precisava de um herdeiro. Ela não sabia como pagar a dívida. Um acordo de casamento que beneficiaria os dois lados, só que as coisas não acabaram por aí, pois a cada dia que se passava, Morgan descobria a teia de aranha onde se meteu.
***
Capítulo 1
Morgan
Se me dissessem que estaria endividada, tendo que vender tudo o que já foi da minha família, para quitar essa dívida, eu riria.
Depois que os meus pais morreram em um acidente de carro, achei que tinha superado tudo de ruim que alguém poderia passar, mas foi aí que descobri a verdade e ela não era nada boa.
Os Wilson eram conhecidos por vir de uma linhagem nobre. Vivíamos com tudo do bom e do melhor. Meus pais adoravam viajar e dar festas luxuosas.
Cresci em uma mansão enorme, com babás e empregadas a minha disposição, e mesmo não sendo como eles, confesso que vivi muito bem.
Estudei na melhor e mais cara escola. Fiz a minha graduação em uma das universidades mais conceituadas do país, e agora vejo-me sem um lar, pois até a moradia onde vivi por vinte e cinco anos pertence a outra pessoa.
Na verdade, tudo era apenas uma aparência. Meu pai pegou empréstimos e pediu dinheiro a um amigo que queria tudo de volta.
Não me importo em viver de forma simples, trabalhar todos os dias para ter um apartamento e uma casa, o problema era ser cobrada.
Todas as joias, propriedades e carros quitaram a dívida dos Wilson no banco. Agora, teria que dar o meu sangue e suor para pagar Oscar Jones, um homem rico, astuto e que me olhava como se eu fosse uma criança mimada.
Era assim que ele me via, quando eu ainda tinha quinze anos.
Não sabia o que fazer. O meu ex-advogado disse-me para chegar a um acordo com o homem. Por experiência, contou que, apesar da arrogância do Jones, era um homem justo e não precisaria vender a minha alma para pagar tudo o que devo.
O que me restou, teria que dar mais ou menos três meses em uma pensão, até ter um trabalho e me virar.
O lugar não era nada confortável. Havia poeira em todos os lugares, a mobília parecia ter vindo dos anos setenta, e a proprietária era uma pessoa mal-humorada. Ela me julgou quando entrei pela porta. Não gostava de andar como uma patricinha, pois nunca fui, mas as roupas que sobreviveram a esse caos não eram nada baratas.
Consegui um quarto decente, com uma cama de solteiro e, pelo menos, uma cômoda para as minhas roupas. Meu maior terror era-me desviar do foco e ser devorada pelas baratas e aranhas.
A noite foi mais um desafio, pois do lado do corredor tinha um casal discutindo com vozes exaltadas. A proprietária teve que intervir, também aos berros. Do outro, um casal, ou dois, gemiam como loucos.
Tive que respirar fundo e tentar dormir o máximo que pude. Mal comi ao acordar, pois fui logo atrás de um emprego que, se somado ao que me sobrou, pudesse me tirar daquele lugar.
Tive medo de deixar os meus pertences naquele ambiente, receosa de não encontrá-las novamente quando voltasse.
Já com o meu diploma em mãos, procurei emprego em alguma editora ou agência de línguas.

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