Ela passou todo o caminho no táxi, murmurando o quanto odiava quando as pessoas agiam sem sua permissão. Ok, Sadie era sua amiga e fez isso por amizade, porém fez ela parecer uma inútil.
Ela sabia que já tinha idade o suficiente para sair e aproveitar a vida, que já tinha um emprego estável e que não seria julgada por isso, entretanto havia fatores para que ela não fizesse nada.
Primeiro: ela não sabia nem por onde começar. Nos filmes é bem mais fácil. A mocinha se esbarra no cara gato e o destino faz com que eles continuem se encontrando. Ou ela está em um bar e um homem bonito lhe paga um drinque.
E naquele momento, ela tinha um cara interessado nela. Mais do que isso.
— Moça, chegamos — o taxista falou, tirando-a do mundo da lua.
— Ah, desculpa — respondeu, envergonhada. — Aqui está. — Entregou a ele o valor da viagem e saiu do automóvel com os papéis na mão.
Mia ficou embasbacada com a mansão de Jackson. Era linda, enorme, com um belo jardim, fonte de água, estrutura clássica, tudo o que só viu em filmes.
A ruiva deu passos até a porta, tocou a campainha e logo foi recebida.
Ao entrar, ela ficou ainda mais impressionada. A moça mostrou por onde ela devia andar, a levando até o escritório de Taylor. Ela bateu a porta, e seu coração foi a boca. Ainda estava com aquela frase na cabeça onde ele disse que ela era a sua escolha, e que só dependia dela, para os dois ficarem juntos.
— Que bom, chegou rápido. — A voz do seu chefe quase a fez se arrepiar inteira.
Taylor a olhou de ponta a ponta, fazendo ela se sentir sem graça, e seu corpo respondeu ao dele, levando-a a sentir raiva de si mesma.
— Trouxe tudo?
— Claro, tudo que me pediu — respondeu, quase irônica demais. — Onde coloco?
— Bem… Está com algum problema de saúde? — perguntou, quase nervosa demais para abrir a boca. — É estranho trabalhar em casa, não é?
Jackson sorriu, encostou-se a mesa e continuou a observando.
— Estou bem, obrigado por se preocupar.
Continuou a fitando.
— É uma bela casa. — Disse nervosa, por ainda ser o centro das atenções.
— Estou buscando uma nova dona.
Passando a andar pelo escritório, Mia se sentia cada vez mais pequena.
— Sei.
— Ela está dificultando as coisas, se fazendo de difícil.
— Talvez ache tudo um absurdo e não sabe o que esperar.
Mia sabia que ele falava sobre ela.
— Pode esperar muitas noites quentes, um jantar agradável, uma menina fofa que vai adorar você.
Nervosa, ela passou a apertar a bolça que carregava.
— Isso é o que deixa tudo mais difícil.
Taylor franziu o cenho.
— Não tem o que temer, Mia, eu gosto de você, estará segura. — Ele se levantou e foi até ela. Mia encarou seus olhos, sentiu o coração na mão. — Estou fazendo isso por medo de perder a minha filha, mas não quer dizer que eu não possa trazer quem eu realmente desejo e gosto, para perto de mim.
— Até ontem você me odiava.
— Até ontem eu fingia a odiar para esquecer o quanto você me atrai.
Os dois permaneceram se encarando, sem saber mais o que dizer. Mia estava quase lá, aceitando a sua proposta.
— Papai, você…
Mia virou nos calcanhares e encontrou uma menina bem pequena, de cabelos pretos e uma franja linda na testa. Ela ficou envergonhada com a sua presença. Ou muito surpresa.
— Você é a namorada do papai? — Franziu o cenho, curiosa.
Pai? Namorada?
Ouvir isso a desconcertou.
— Na verdade, ela é. — Os olhos verdes de Mia quase pularam da órbita. Ela olhou para Jackson querendo o matar. Surpreendendo-a, ele sorriu. — Olivia, essa é a Mia.
A garotinha sorriu, estendeu a mão para cumprimentá-la, empolgada. A ruiva quis bater em Taylor, mas deixaria isso para outra hora.
— Você é bonita. — A garota tinha o espirito de sempre falar o que pensava. Curiosamente, igual a Mia.
A ruiva só retribuiu o sorriso, nervosa, e apertou a sua mãozinha.
— Mia, revise os papeis e quando eu voltar, continuaremos a nossa conversa. — Jackson agiu como se tudo aquilo fosse normal.
— Claro. — Falou.
A ruiva observou os dois, de mãos dadas, saindo do escritório. Ela ficou estática, querendo se enfiar em algum buraco. Depois que estava só, andou de um lado para o outro, tentando entender o que acabou de acontecer.
Taylor estava ficando maluco. Provavelmente não entendia os riscos de confirmar essa mentira.
Então, indo à janela, ela os viu passeando pelo belo jardim. Ali estava um homem que ela não conhecia. Taylor sorria, brincava, e agia como um pai amoroso, um homem tranquilo e amoroso, algo que ela jamais pensaria dele.
— Onde você foi se meter! — Disse, sem tirar os olhos da cena. — Do dia para a noite, passou de secretaria a namorada do chefe. Que merda é essa? — A ruiva tentou lembrar dos defeitos dele. Da forma como ele a tratou, só que nada, naquele momento, a deixava contra Jackson. De uns dias para cá, ele foi paciente, deixou de ofendê-la, gostava de sorrir, algo que o tornava ainda mais lindo. — A menina o torna um homem diferente. Taylor pode ser diferente. Isso é bizarro. Será que toda aquela arrogância é uma casca de proteção?
Ao perceber que estava passando tempo demais o observando, Mia respirou fundo, tentou voltar a ser a mulher de antes, e trabalhar.
Não deu muito certo, pois a cada dois segundos sua cabeça voltava a Taylor e a sua filha. Como se já não fosse difícil ouvir seu pedido e saber do porquê, ela estava vendo um novo homem, uma garotinha fofa, e seu desejo pelo chefe aumentando.

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