Ao atravessar o salão onde as pessoas estavam jantando, chegaram a um espaço reservado com divisórias em tecido de cetim vermelho. Mia não conseguia esconder a surpresa, e, quando o metre abriu uma dessas cortinas e os convidou a entrar, ela teve a certeza que aquele lugar não era para ela.
Era um lugar luxuoso e bem iluminado. Num canto havia uma poltrona que pareceu confortável e, no centro, uma mesa redonda e arrumada para dois.
Taylor sorriu do seu espanto. Havia mais naquele sorriso do que saber que Mia estava impressionada com tudo aquilo. Ele pensava que depois daquele dia, a ruiva veria um lado de Jackson na qual ninguém mais sabia.
Ele não era o cara mais correto, sabiam o quão cafajeste era, porém, seus gostos e lugares que frequentavam, eram bem peculiares.
— Você me enganou — sussurrou, irritada. — Onde estamos, Taylor? — Ele riu e deu um sorriso largo e debochado que a despertou um desejo de socá-lo no mesmo instante. — Acha isso engraçado? Eu não estou feliz nem um pouco e posso ir embora agora mesmo. Eu poderia estar em uma academia lotada de homens com barriga definida e suados. Isso, sim, seria uma noite muito bem proveitosa.
— O que disse? — a encarou, perdendo todo aquele brilho.
— Foi o que ouviu — confirmou, furiosa. — Homens lindos e suados. Sadie deve estar me odiando agora, porque falei que iria com ela. Mas aqui estou eu. Estou em um lugar estranho com meu chefe babaca.
— Curte corpos suados? — A pergunta veio acompanhada de um sorriso de canto de boca que a deixou envergonhada. O que falou foi só para o irritá-lo. — Não está perdendo nada, se for o caso.
O que ele quer dizer com isso?
— Que lugar é esse? — Cruzei os braços. — Está estranho. Isso aqui é estranho. Por que tudo isso?
Ela poderia apostar que o homem estava a testando, que tinha segundas intenções e que iria aprontar alguma coisa.
— Como eu disse, é só um jantar. — ela viu, no seu olhar, que seria mais que isso.
Ele afastou a cadeira para que ela se sentasse. A ruiva olhou para o homem alto e com olhar frio e sombrio antes de se permitir cometer mais aquele erro. Ela sentiu seu corpo se arrepiar, percebendo sua respiração tão perto dela.
Tinha que admitir que tudo isso estava a deixando curiosa e excitada.
Claro… Uma mulher que nunca foi olhada ou tratada assim se sentiria nas nuvens ao lado de um homem que declarou seu desejo por ela.
Onde vim me meter?
— Eu não sabia que tinha um restaurante, nem que ele era como você: misterioso e assustador — comentou, desconfiada.
— Sou assustador? — Ele riu ao encarar, sentou-se à sua frente e observou cada reação sua. — É assim que me vê?
— É assim que todos o veem — respondeu mais alto do que ela desejava. — Afinal, que lugar é esse?
Jackson parecia orgulhoso. O sorriso de satisfação permaneceu por muito tempo no seu rosto.
— Sabe que invisto em coisas que vão ser atrativas para muitos. — Ele pegou um tablet que ela não viu de onde saiu e digitou alguma coisa. Depois voltou a lhe dar a sua atenção. — Passei uma temporada na Itália, e outra na Espanha. São países maravilhosos para quem busca experiências. — Claro. E para quem tem dinheiro também. — Lá é bem mais comum existir lugares mais íntimos e sem preconceitos, sem preocupações com tabus.
— Só está me deixando mais confusa. — Pegou a taça com água, que já estava ali, e bebi um gole dela. Sua garganta estava seca.
Odiei ser encarada por ele.
— O que quero dizer é que eu trouxe para Nova York o que mais gostei nesses lugares. E, para a minha surpresa, era algo que muitos desejavam, só não tinham coragem de fazer. Claro que tudo fica no mais puro segredo. Ninguém sai por aí convidando pessoas para esses locais.

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