Mia
Eram seis horas da tarde e Mia estava com quase todo o seu corpo sobre a máquina na qual digitalizava os arquivos. O tédio a pegou às duas horas, depois que acabou de voltar do almoço empolgante com Sadie.
Passou a maioria do tempo pensando em Taylor, no que ele estava fazendo e com quem, pois o homem saiu, estressado, antes da metade do dia. Ela até quis se bater algumas vezes, achando que estava enlouquecendo se pensasse que ela gostava dele, um arrogante antipático que fazia da vida de muitos um inferno, inclusive a dela.
A ruiva olhava o monitor azulado da máquina, sentindo um frio percorrer o seu corpo, começando do calcanhar. Seus pés estavam descalços e ela abriu alguns botões da blusa de mangas longas que usava com a saia-lápis.
Quando o processo acabou, pegou as folhas e se virou para sair do cubículo. E quase morreu de susto ao ver o chefe encostado no mármore escuro.
— Eu poderia passar a noite toda aqui, observando você. — Sua voz rouca e grave a deixou com o sangue quente. — Ainda mais com você naquela posição. Minha mente planejou coisas nas quais você não faz ideia.
— É a segunda vez que quase me mata de susto — condenou. — Se eu tivesse um histórico de doenças cardíacas, poderia ser o culpado pela minha morte.
— Isso seria uma tragédia. Minha intenção não é essa, mas fico feliz em saber pelo menos isso sobre você.
Ela o encarou, cerrando os olhos, achando estranho o sorriso no seu rosto, já que mais cedo ele parecia que explodiria de raiva.
— Por que está aqui a esta hora e de bom humor? — Bipolar: esse era o problema de Taylor Jackson. — Saiu mais cedo como se tivesse engolido um sapo.
— Acreditaria se eu dissesse que estava com saudade? — brincou.
O quê?
Com certeza o seu plano era enlouquecer a ruiva. Ela preferia o chefe irritante. Com ele, ela sabia lidar.
— Resolveu o seu problema? — questionou ao passar por ele, fingindo não ter interesse.
— Não estou aqui para conversar sobre minha vida particular. — Deixou a parede e foi atrás dela.
Certo, ele ainda está aí dentro. Só não sei o que quer com essa versão de arrogante bonzinho.
— Quero que venha comigo — ele pediu.
— Aonde iriamos a esta hora? — Isso era estranho. Mia já estava começando a entender as preocupações de Sadie. — Vai ter que me pagar hora extra.
— Tenho que pagar a você por um jantar? — Ainda bem que ele estava atrás dela, pois a ruiva sabia que seu rosto expressava surpresa e incredulidade. — Concordarei se aceitar outro tipo de recompensa.
— Qual o seu problema e o que quer comigo? — virou-se rápido demais e sentiu seu rosto queimar. Só não sabia se era de vergonha ou raiva. — Já falei que não gosto de joguinhos.
Ela ficou perplexa e estática. Mia o olhou por uns segundos, esperando-o dizer que aquilo era uma piada.
— Jantar?
— Não preciso insistir quando chamo alguém para sair e odeio me justificar. — Recostou-se.
— Não janto com chefes.
— Comigo sim.

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