Mia
Ela não queria acordar ou levantar da sua cama confortável. Depois daquilo, enfrentaria a fera, só que Taylor não encontraria a mesma menina medrosa de antes. Ela estava tão furiosa que poderia sufocá-lo com as mãos.
Ao se levantar da cama, Mia notou que a casa estava vazia. Sadie estava pisando em ovos, com medo de ser demitida, e ela poderia apostar o quanto seus ouvidos estavam cansados de ouvir palavras maldosas. Ela era uma boa pessoa. Taylor, por outro lado, era um verdadeiro diabo.
Calmamente, tomou seu café, sabendo que àquela hora ela já deveria ter chegado ao escritório. Colocou a sua melhor roupa, que, ironicamente, foi ele quem comprou; e colocou os saltos pretos, que só a ajudavam a olhá-lo nos olhos com mais facilidade.
Durante todo esse processo, tentou não se imaginar cravando as suas unhas em seu pescoço. Foi inútil. Porém, isso a deu outra ideia.
Dessa vez Taylor iria lidar com uma secretaria diferente.
Taylor a queria de volta, mesmo ela sendo o seu pior pesadelo, nas palavras dele. Mia não queria imaginar que ele tivesse cometido toda aquela loucura por sua causa.
Não poderia dizer que o conhecia. Afinal, quem realmente sabia o que se passava naquela mente diabólica?
Todavia, pelo que ela estudou dele, Taylor não fazia nada sem antes pensar, analisar e calcular o seu lucro no fim do dia. Era um homem que gostava de investir em empresas, mesmo à beira da falência, que tinham um potencial e que pareciam bem com seu plano de negócios. Contudo, Taylor Jackson investia em carros, indústrias alimentícias que tinham filiais em vários países e em empresas de marketing, não em uma agência de modelos.
O que esse homem quer?
Por fim, encarando o seu reflexo no espelho e sabendo que ele iria a olhar com ódio por estar atrasada, chegou a uma conclusão.
Ela iria fazer da sua vida um inferno. Se ele a queria novamente como sua secretária, iria ser ela mesma: falar o que quisesse quando achasse necessário. E não me mataria só porque ele gostava de assistir a uma tortura.
O senhor Jackson tinha algo em mente, e ela também tinha que ter.
***
Mia respirou fundo antes de passar pela porta giratória. Como sempre, as pessoas iam de um canto a outro, concentradas em seus afazeres.
Ela não admitiria estar com saudade daquele lugar. Era mais empolgante do que se sentar em uma cadeira e atender telefonemas de mulheres em busca de um sonho nas passarelas algum dia.
Andou, sentindo-se confiante, apesar de essa ser só uma casca por fora. Ela deu bom dia a todos por quem passava, e eles a olhavam, surpresos, quase dizendo: “O que está fazendo aqui outra vez?”
Bem, eu também gostaria de saber essa resposta.
Mia subiu os degraus até a sala presidencial, onde Sadie estava concentrada em alguns papéis. E assim que percebeu a sua presença, ela abriu seus olhos, surpresa.
— O que está fazendo aqui? — sussurrou, indo até ela e evitando fazer barulho. Encarava-a quase que em pânico.
Mia olhou para a sala de vidro, onde Taylor estava sentado perto da mesa. Ele parecia concentrado, porém dava para ver que estava irritado. O sorriso de alegria brotou no seu rosto por ela estar orgulhosa de ser o motivo disso. Pelo menos ela achava que era.
— Ele está uma fera, e não é como nos outros dias. Alguma coisa aconteceu. Ele mal me olhou no rosto. Parecia odiar a minha sobrevivência ao seu lado.
— Posso imaginar que sim — respondeu sem tirar os olhos dele.
— O que deseja? Eu não quero que ele fique mais irritado do que já está. Acredito que se te vir aqui…
— Você pode voltar ao seu trabalho na recepção. — Pôs uma das suas mãos no ombro dela, tentando confortá-la.
— O quê? — ela quase falou alto o suficiente para que Taylor as notasse, apesar de que parte dela sabia que ele estava ciente da sua presença.
— Relaxa, vou resolver isso. — Mia passou por ela e pôs em cima da mesa a bolsa que ela carregava no braço.
Ela entrou o escritório sem bater ou anunciar a sua chegada. Taylor se manteve estático, e Mia pensou que ele não queria a encarar.
— Você tem algum problema, sabia? — Pôs as mãos sobre a mesa de vidro, quase que debruçada sobre ela, pensando em fitar seus olhos que mexiam com todo o seu corpo.
— Tenho vários problemas, então faça o seu trabalho e me ajude a resolvê-los — ele falou grosseiramente, sem se dar ao trabalho de a olhar nos olhos.
— Não vai ser tão fácil. — se colocou ereta, cruzando os braços na frente do corpo e o esperando ter a decência de a encarar. — Você me demitiu e me chamou de incompetente. Por que me quer de volta? E, o mais importante: qual foi o seu objetivo ao comprar uma agência de modelos?
Ela o ouvi respirar fundo e se encostar na cadeira, com calma, levantando o rosto. Estava sereno, nada parecido com o homem irritado de minutos antes.

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