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Um Vício Irresistível romance Capítulo 444

— Clarinha, como estão as coisas? A doença da criança tem cura? — A voz calma e gentil de Asher chegou pelo celular, trazendo uma sensação inexplicável de conforto.

— A doença dela tem cura, sem problemas. Só que o corpo dela está muito fraco, vai precisar de um tempo para se recuperar. — Respondeu Clarice, com firmeza, mas logo mudou de assunto. — Lorenzo foi aceito na Escola Infantil Sol Brilhante. Eu esqueci de levá-lo para o exame médico. Traga ele para o hospital agora. Eu espero vocês aqui.

— Certo, vou levar o Lorenzo agora mesmo! — Respondeu Asher, sem hesitar.

Clarice desligou o celular e o guardou no bolso. Quando levantou os olhos, viu Laura olhando para ela, os olhinhos brilhando de curiosidade e expectativa.

Clarice achou estranho e perguntou:

— O que foi?

— Eu também estudo na Escola Infantil Sol Brilhante, mas eu fico muito doente e quase não vou. — Disse Laura, piscando inocentemente. — Doutora, você pode curar minha doença hoje? Assim, amanhã eu já posso ir para a escola!

Laura lembrou de como era quando ia para a escola. Sempre tinha seguranças a acompanhando, o que fazia os outros colegas de classe se afastarem. Uma vez, ela ouviu algumas crianças a chamando de “doentinha” e dizendo que ela ia morrer logo.

Essas palavras machucaram demais. Por isso, Laura passou a não gostar de ir para a escola.

Mas agora, com a médica dizendo que sua doença podia ser curada, ela queria melhorar logo. Quem sabe, no dia seguinte, ela poderia ir para a escola sozinha, como qualquer outra criança.

Clarice olhou para as mãos pequenas e o rosto magrinho de Laura. A menina era muito frágil, e, com aquele corpo, não tinha condições de fazer uma cirurgia. Ela precisaria se fortalecer primeiro.

— Se você quer melhorar rápido, vai ter que seguir minhas orientações. Tem que comer direitinho, sem fazer birra nem escolher comida. Você consegue fazer isso? — Perguntou Clarice, séria, mas com um tom gentil.

— Consigo! — Respondeu Laura, animada, acenando com a cabeça.

Ela prometeu a si mesma que seria obediente e comeria direitinho.

Clarice a colocou de volta na cama, ajeitando cuidadosamente o travesseiro e cobrindo-a com o cobertor.

— Tenho que resolver algumas coisas agora, mas volto daqui a alguns dias para ver como você está. Até lá, prometa que vai comer bem e ser uma boa menina, tá?

Laura estendeu sua mãozinha para fazer um “pinky promise”.

— Vamos fazer um juramento! Dedinho, carimbo! — Disse ela, com um sorriso esperto, como se estivesse desconfiada de que Clarice pudesse não cumprir sua palavra.

Clarice riu, achando graça na atitude da menina. Ela estendeu o dedo mindinho, fez o juramento e até simulou o “carimbo” na mãozinha de Laura.

Assim que Clarice saiu, o sorriso de Laura desapareceu, e um olhar de melancolia tomou conta de seu rosto.

Do lado de fora, Sterling esperava pacientemente. Quando a porta do quarto finalmente se abriu, ele viu uma mulher de jaleco branco e máscara no rosto sair de lá.

Por algum motivo, o olhar dela lhe parecia familiar.

Clarice manteve-se tranquila ao vê-lo. Talvez fosse porque já havia enfrentado a morte, mas nada parecia mais intimidá-la.

— O senhor é o pai da Laura, certo? — Perguntou ela, com uma voz suave e agradável. Nos últimos dois anos, Clarice tinha treinado um sotaque típico de Cidade F. Mesmo que sua voz pudesse soar familiar, o sotaque era diferente.

Sterling sentiu a familiaridade que acabara de surgir em sua mente desaparecer.

Devia ser coisa da sua cabeça. Talvez estivesse sendo influenciado pelo que Osvaldo dissera sobre Clarice ter voltado para Londa.

— Sim, eu sou o pai da Laura. Doutora, ela pode fazer a cirurgia? É muito arriscado? Se for possível operar, quando podemos marcar? — Sterling despejou uma série de perguntas, com os olhos brilhando de esperança.

Ele estava feliz. Finalmente, sua filha tinha uma chance de se salvar.

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