A figura à sua frente ficou visivelmente paralisada, e logo em seguida, uma voz feminina fria ecoou pelo ambiente:
— Os familiares, por favor, saiam. Não atrapalhem o meu exame!
— Eu ficando aqui não vou te atrapalhar! Doutora, por favor, examine logo a minha filha. — Sterling respondeu, com a expressão carregada de preocupação. Não confiava de jeito nenhum em deixar Laura sob os cuidados de uma completa estranha.
— Se você insiste em ficar, então eu só posso ir embora. — A voz da mulher ficou ainda mais fria, carregada de uma firmeza inabalável.
Sterling franziu o cenho, seu rosto se tornou sombrio:
— Como posso ter certeza de que você é mesmo uma médica renomada?
Uma médica tão jovem, seria mesmo uma especialista? Ou estaria apenas tentando enganá-lo?
— Pergunte ao seu amigo, não é tão difícil. Mas, se você não sair agora, eu vou embora! — A firmeza na voz da mulher não deixava espaço para contestação.
Nesse momento, o celular de Sterling começou a tocar. Ele olhou para a tela e viu que era Osvaldo. Atendeu imediatamente.
Ele estava prestes a ligar para o amigo, mas Osvaldo se antecipou.
— Sterling, já encontrou a médica? É aquele senhor mais velho, de barba branca, né? — A voz de Osvaldo estava cheia de entusiasmo, quase explodindo de alegria.
Os olhos negros e profundos de Sterling passaram rapidamente pela silhueta da mulher e pela voz que ele acabara de ouvir. Ele tinha certeza: era uma mulher, e bem jovem.
— Sterling, por que você não responde? — Osvaldo perguntou, intrigado com o silêncio do amigo.
Será que a médica não era aquele senhor de idade? Não podia ser uma mulher, podia?
— O que exatamente você disse a ela? — Sterling perguntou com a voz grave.
— Eu só mandei para ela o número do quarto da sua filha. O que mais você acha que eu deveria ter dito? Sterling, o que você quer dizer com isso? — Osvaldo respondeu, confuso, mas logo tentou convencê-lo. — Olha, eu sei que a médica pode não ser a pessoa mais bonita do mundo, mas importa? O que vale é salvar a sua filha, não acha? Você não tem direito de reclamar!
Sterling, com o rosto ainda mais carregado, encerrou a chamada abruptamente. Ele não precisava que Osvaldo lhe dissesse o que fazer.
— Fique tranquila, eu não estou brava com o seu pai.
Clarice realmente não estava irritada. O que a tinha surpreendido era descobrir que Laura era filha de Sterling. Mas, olhando para a pequena, sentiu uma ternura inesperada.
Laura era tão doce que até estava tentando "defender" o pai.
A menina piscou os olhos grandes e brilhantes, segurando nervosamente o lençol da cama. Respirou fundo, como se reunisse coragem, e então disse, em um tom quase inaudível:
— Doutora, eu… Eu posso te pedir uma coisa? Você pode ser a minha… Mamãe?
Assim que terminou a frase, o rosto da pequena Laura ficou completamente corado, duas manchas vermelhas tomaram conta de suas bochechas.
A avó dela sempre dizia que, se quisesse algo, deveria lutar por isso. Laura realmente gostava da doutora desde o primeiro momento, e achava que não havia mal nenhum em tentar.
A luz do sol atravessava as frestas da cortina, criando um padrão de sombras e brilho que dançavam no rosto de Laura. Aquela luz dourada parecia emoldurar o rosto infantil, realçando a pureza e a determinação nos olhos dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...