Os lábios de Simão se curvaram em um sorriso sarcástico.
— Então, o que você quer dizer é que, pelo seu próprio futuro, você seria capaz de vender seus filhos?
Quando era criança, ele acreditava que seu pai era um homem íntegro e honrado.
Agora, ele finalmente entendia que havia sido enganado pela hipocrisia de Jasper. O pai que ele admirava tanto não passava de uma ilusão criada por mentiras.
Jasper, ao ouvir aquilo, imediatamente endureceu a expressão.
— Simão, não pense que só porque você cresceu eu não posso mais te controlar! Você e Rita só podem seguir em frente, nunca recuar! Agora, saia daqui!
Simão lançou um olhar profundo para o pai, mas não disse mais nada. Apenas se virou e saiu.
Jasper observou a figura do filho se afastando, enquanto massageava as têmporas, sentindo uma irritação crescente. Só então ele percebeu que Simão havia amadurecido, que ele já não tinha mais controle sobre o filho. Essa constatação o deixou inquieto.
Durante toda a sua vida, o maior objetivo de Jasper foi chegar ao topo.
Ele havia dedicado décadas para conquistar a posição em que estava agora. Estava tão perto de alcançar o topo que desistir era impensável.
Simão foi até a garagem e entrou no carro. Sentado ali, ele pegou o celular e discou o número de Sterling.
Depois de tocar algumas vezes, Sterling finalmente atendeu.
— O que foi?
— Onde você está?
— No hospital. Minha filha está internada por causa de uma febre.
— Então cuide dela primeiro. Quando ela melhorar, a gente se encontra e conversa.
Simão desligou o celular e ficou olhando para o nada. De repente, percebeu que a vida parecia totalmente vazia e sem propósito.
Sterling, por sua vez, colocou o celular de lado e voltou a alimentar Laura.
A menina piscou seus grandes olhos curiosos e perguntou:
— Papai, você está muito ocupado com o trabalho? Se estiver, pode ir trabalhar. Eu fico bem sozinha!
Ao ouvir a preocupação na voz da filha, Sterling sentiu um aperto no coração.
— Meu trabalho pode ser feito por outra pessoa, mas cuidar de você só eu posso fazer! — Respondeu ele, com um tom carinhoso.
Sterling não conseguiu conter um sorriso diante da resposta dela.
— Você gosta da mamãe?
Desde que Clarice desapareceu, Sterling nunca havia pensado em se casar novamente. Quando Laura chegou, ele teve ainda menos vontade de trazer outra mulher para casa. Ele acreditava que nenhuma delas cuidaria de Laura como ela merecia.
Mas agora, com Laura tocando nesse assunto, ele percebeu que talvez estivesse ignorando algo importante. Talvez Laura precisasse de uma figura materna.
Ainda assim, pensar em se casar com Beatriz era algo que ele não conseguia aceitar.
— Não gosto! — Laura balançou a cabeça.
Ela podia sentir que Beatriz não gostava dela, e isso a fazia se afastar ainda mais.
— Então, quem você quer como mamãe? — Sterling perguntou, com paciência, genuinamente interessado no que ela tinha a dizer.
Laura piscou algumas vezes, e por algum motivo, lembrou-se do menino que havia encontrado no banheiro. Com um olhar sério, ela respondeu:
— Quero que a mamãe do meu irmão seja minha mamãe. Pode ser?
Era como se, na cabecinha dela, bastasse Sterling dizer sim e ela teria uma nova mãe imediatamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...