— Mãe, não precisa! — Disse Asher, mas logo começou a tossir. Ele ainda estava muito fraco, e qualquer emoção exacerbada o deixava desconfortável.
— Quero conversar com Asher. Sra. Paula, a senhora poderia nos deixar a sós um momento? — Pediu Sterling, direto.
Paula assentiu rapidamente.
— Claro, eu saio agora. Mas, por favor, Sterling, Asher acabou de acordar. Ele está muito fragilizado, então não o provoque.
— Pode ficar tranquila. — Garantiu Sterling com um leve aceno.
— Mãe, cuidado no caminho. — Disse Asher, com a voz baixa.
— Conversem, eu já vou indo. — Respondeu Paula, se despedindo antes de sair do quarto.
Assim que a porta se fechou, Asher foi direto ao ponto:
— Como Clarinha morreu?
Ele quase perdeu a própria vida para salvá-la, e no final, ela ainda morreu. Se soubesse que seria assim, teria preferido não acordar, para poder encontrá-la no além.
— Ela desapareceu na praia. Eu não sei os detalhes. — Respondeu Sterling, observando atentamente o rosto de Asher. — Você e ela combinaram tudo? Ela fingiu a própria morte, e você está ajudando a encobrir isso?
Sterling não desviava o olhar de Asher enquanto falava. Ele queria captar qualquer sinal de mentira.
Ao ouvir as palavras de Sterling, Asher sentiu uma dor aguda no peito. A lembrança da morte de Clarice o fazia arder de raiva e amargura. Ele olhou para Sterling com um brilho sombrio nos olhos e respondeu, com uma voz calma, mas carregada de ressentimento:
— Naquela noite, sua arrogância quase a matou. Se não fosse por mim, ela já teria virado cinzas! Depois de tudo o que aconteceu, eu pensei que você teria aprendido a protegê-la. E o que aconteceu? Ela morreu mesmo assim! Agora você está aqui, querendo que eu diga que ela está viva, só para aliviar sua culpa?
— O que você está dizendo? Você está me dizendo que Clarice foi vítima de uma armadilha?
Durante três anos, Sterling havia odiado Clarice, convencido de que ela o havia manipulado para conseguir se casar com ele. Ele sempre acreditou que ela era calculista e cheia de segundas intenções.
Agora, descobrir que ela não havia feito nada disso, que ela também foi vítima, era como levar um soco no estômago.
Se as revelações sobre o que Teresa fez com Clarice já haviam deixado Sterling cheio de remorso e arrependimento, o que Asher acabara de dizer o fez sentir vontade de bater em si mesmo.
Asher o havia chamado de arrogante, e ele estava certo. Sterling sempre achou que sabia de tudo, mas, na realidade, não sabia de nada.
— Clarinha era uma mulher íntegra, digna, e com um senso de justiça inabalável. Como você pode sequer imaginar que ela seria capaz de algo tão desprezível? — Asher lançou um olhar cortante para Sterling. — Eu conheço Clarice há quase vinte anos. Sei exatamente quem ela era. Estou te contando isso apenas para que você passe o resto da vida se afogando em culpa e arrependimento!
Asher nunca se considerou uma pessoa boa. Ele sabia que, nas famílias ricas, a bondade era um luxo raro. Mas, para Clarice, ele sempre fez questão de ser justo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...