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Um Vício Irresistível romance Capítulo 395

Isaac pensou que, se Clarice realmente tivesse caído no mar, como seria possível encontrá-la?

Mas ele apenas pensou. Não ousava dizer isso em voz alta, pois sabia que Sterling ficaria furioso.

— Vá cuidar disso imediatamente. Vou pedir que o motorista venha me buscar para me levar para casa. — Disse Sterling, encerrando a conversa.

Isaac não teve escolha senão sair rapidamente e cumprir as ordens.

Sterling jogou o cobertor para o lado e levantou-se da cama. Caminhou até o banheiro e, ao se olhar no espelho, passou a mão sobre a marca da bofetada em seu rosto. A lembrança da expressão de Jaqueline, tomada pela dor e pela raiva, voltou com força. Não parecia possível que aquele sofrimento fosse fingido.

Se Clarice estivesse viva, ela com certeza teria contado para Jaqueline, né?

Mas, se Clarice estivesse morta…

Sterling afastou o pensamento rapidamente. Ele abriu a torneira, jogou água fria no rosto e sentiu o impacto gelado despertá-lo um pouco. Precisava manter a cabeça no lugar.

Depois de se lavar e trocar de roupa, desceu as escadas. O motorista já o esperava. Ele entrou no carro e seguiu para casa.

Ao chegar, encontrou o quarto impecavelmente limpo. O ar estava impregnado com um aroma suave e familiar. Sterling logo notou a presença daquela gravata sobre a mesa. O objeto reavivou memórias que ele preferia esquecer.

Ele pensou em Clarice. Pensou também nos erros que cometera no passado, erros que agora o deixavam com um aperto no peito.

À tarde, Callum apareceu. Ele estava visivelmente abatido, com os olhos fundos e a barba por fazer. Parecia um homem destroçado.

Sterling estava sentado no sofá e, ao ver a figura de Callum diante dele, arqueou as sobrancelhas com leve desdém:

— O que você quer comigo?

Sterling foi direto ao ponto. Teresa havia sido presa e, assim que todos os trâmites legais fossem concluídos, ela enfrentaria as consequências por seus atos.

Callum sabia que Sterling não iria persegui-lo por ter ajudado Teresa a fugir. Mas ele ainda tinha algo a esclarecer.

Sterling sorriu, mas o sorriso era vazio, sem qualquer traço de calor.

— Clarice morreu por causa dela. O fato de eu não ter matado Teresa já é a maior prova de compaixão que ela vai receber de mim.

Mesmo assim, Sterling sabia que a vida de Teresa nunca seria fácil dali em diante.

— Clarice já está morta. Isso não deveria encerrar todas essas brigas? Por que você não deixa Teresa em paz? — Callum levantou a voz, incapaz de conter sua frustração.

Sterling lançou um olhar gélido ao redor da sala, reparando em cada detalhe. Tudo naquela casa havia sido decorado por Clarice. Desde as cortinas até os móveis, cada escolha carregava o toque dela.

Ele se lembrou do dia em que eles se mudaram para lá. Clarice estava tão feliz que girou em círculos no meio do quarto. Sterling havia rido, chamando-a de infantil. Mas Clarice respondeu, com um sorriso no rosto, que finalmente tinha um lar.

Na época, Sterling pensou que uma casa era apenas uma construção. Ele tinha muitas, afinal. Mas agora, ele entendia o que Clarice quis dizer. Um lar não era apenas um lugar. Um lar era estar com quem se ama.

Agora que ele finalmente compreendia isso, Clarice já tinha partido.

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