Ele estava se esforçando para controlar suas emoções.
— Isaac trouxe os pertences da Dona Clarice. O Sr. Sterling acabou de sair do processo de emergência, mas ainda não acordou. — Catarina falou com cautela, preocupada com Sterling, mas também temendo que Túlio, se mantido no escuro, pudesse culpá-los caso algo pior acontecesse.
— Certo… — Túlio respondeu, mas antes que pudesse dizer mais, seu corpo caiu para trás como uma pedra.
A Mansão Davis entrou em caos. Todos ficaram em pânico, e o mordomo, tomando a iniciativa, decidiu levar Túlio imediatamente para o hospital.
Depois de um esforço intenso da equipe médica, Túlio finalmente recobrou a consciência. Quando abriu os olhos, no entanto, havia apenas um vazio desolador em seu olhar, como se toda a luz tivesse ido embora.
O mordomo, aliviado ao vê-lo acordar, soltou um suspiro.
— Sr. Túlio, graças a Deus o senhor está de volta!
Túlio lutou para se sentar na cama. Cada movimento parecia exigir toda a sua força. Com a voz quase inaudível, ele disse ao mordomo:
— Ligue para Isaac. Quero… a pulseira.
Isaac, que já estava no hospital, chegou poucos minutos depois. Ele tirou do bolso a delicada pulseira de família, que reluzia sob a luz em um brilho suave e melancólico. Parecia carregar todo o peso da tristeza que pairava sobre eles.
Túlio estendeu as mãos trêmulas e segurou a pulseira com cuidado. Assim que sentiu sua textura familiar, seus olhos se encheram de lágrimas. Ele passou os dedos por cada detalhe, cada curva, como se estivesse tocando as memórias de Clarice. Cada traço parecia trazer de volta seu sorriso, sua voz, sua presença.
Quando teve certeza de que a pulseira era mesmo de Clarice, algo dentro dele se quebrou. Ele apertou o objeto com força entre as mãos, enquanto todo o seu corpo tremia. A dor parecia rasgar sua alma, e seu coração doía como se estivesse sendo perfurado por uma faca.
Naquele instante, Túlio sentiu que perdera tudo. O mundo parecia vazio, e o silêncio ao seu redor apenas tornava a sensação de desespero mais sufocante.
O mordomo, observando-o, ficou profundamente preocupado.
— Sr. Túlio, o senhor não está bem. Seu corpo é frágil, e não pode se abalar assim. Por que não tenta descansar um pouco?
Túlio balançou a cabeça. Como poderia descansar? A Clarice que ele tanto amava se fora, e nem mesmo o corpo dela restou para que pudessem se despedir. Ela devia estar tão desesperada por causa de Sterling que preferiu acabar com tudo.
…
Três dias depois, Sterling finalmente abriu os olhos.
Isaac, que estava ao lado da cama, quase deu um salto de susto ao ver o movimento.
Sterling comeu rapidamente, e Isaac serviu uma tigela de sopa, entregando-a com cuidado.
— Sr. Sterling, tome a sopa.
Sterling pegou a tigela e, novamente, começou a comer sem dizer uma palavra.
Isaac ficou surpreso com a obediência incomum de Sterling. Ele parecia calmo demais, quase como se estivesse entorpecido.
Antes que pudesse refletir mais sobre isso, a porta do quarto foi violentamente aberta, e uma figura furiosa entrou correndo.
Isaac mal teve tempo de reagir antes que a pessoa pegasse a tigela de sopa e jogasse todo o líquido no rosto de Sterling.
— Sterling, seu desgraçado! Você matou a minha Clarinha! — A voz de Jaqueline ecoou pelo quarto, cheia de ódio.
Sterling mal teve tempo de limpar o rosto quando Jaqueline já havia levantado a mão, prestes a lhe dar um tapa com toda a força:
— Por que você não morreu no lugar dela?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...