Ao ouvir que os anciãos o estavam interpretando daquela forma, Rafael Soares soltou um longo e impotente suspiro.
Ele sabia que eles sempre tiveram uma preferência clara por Bento Soares.
No entanto, jamais imaginou que, em um momento tão crítico, o favoritismo deles seria tão descarado.
— O conteúdo da minha ligação com a Helena Gomes já deve ter sido repassado aos senhores pelas pessoas que me vigiam. — disse Rafael. — Além disso, Sandro Teixeira acabou de postar a gravação na internet.
Rafael Soares pegou o celular, abriu as redes sociais de Sandro Teixeira e encontrou o áudio em questão.
Ele estendeu o aparelho na direção dos anciãos.
— Esta é a conversa inteira. Os senhores podem ouvir com os próprios ouvidos. Em que momento eu pedi para a Helena mentir por mim? Eu só pedi que ela viesse ser minha testemunha.
No entanto, os anciãos ignoraram completamente o celular estendido.
Vendo isso, Rafael Soares continuou:
— Os senhores podem ir atrás da Vanessa Teixeira. Perguntem a ela quem eram aqueles amigos, comecem por...
— Rafael Soares, você está querendo me ensinar a fazer o meu trabalho? — interrompeu o Sr. Sebastião, com a voz carregada de autoridade.
Ele cravou os olhos em Rafael, e ao vê-lo falar com tanta convicção, sentiu ainda mais repulsa.
— Como investigar, por onde começar, quem interrogar... Nós sabemos muito bem como fazer tudo isso. Não precisamos que você nos dê ordens. Você não tem mais nada a fazer aqui. Volte para o seu quarto agora!
O Sr. Salvador segurou a bengala com força e bateu no chão repetidas vezes.
— Já que você não precisa mais cuidar dos assuntos da empresa, entregue seu celular e seu computador para nós agora mesmo.
Ele apontou um dedo trêmulo para Rafael.
— Durante esse período, você vai ficar trancado em casa. Não tem permissão para contatar ninguém, nem para sair. Quando a investigação terminar, decidiremos o que fazer com você!
— Se ele não fez nada, não teria motivos para se preocupar ou para mandar mensagem para a Helena. — retrucou o Sr. Salvador, apertando o topo da bengala. — Para mim, está claro que Rafael tem culpa no cartório. Ele entrou em pânico e por isso correu para ligar para ela.
O Sr. Sebastião ficou em silêncio por um momento, mas logo concordou com o raciocínio.
— Exatamente. Eu penso da mesma forma. — assentiu ele. — Rafael deve estar com a consciência pesada. Por que mais ligaria para a Helena agora?
Ele estreitou os olhos, formulando uma teoria.
— Ele provavelmente já sabia que estava sendo vigiado por nós. Por isso falou daquele jeito no telefone, tentando não levantar suspeitas. Mas ele e a Helena ficaram juntos por muitos anos, se conhecem bem. Vai saber se aquelas palavras não eram um código secreto entre eles?
O Sr. Ricardo inicialmente achava improvável que Rafael tivesse pedido um falso testemunho por telefone.
Porém, ao ouvir a análise dos outros dois, começou a achar que talvez houvesse verdade naquilo.
Afinal, num momento tão crucial e delicado, insistir em ligar para Helena Gomes era, no mínimo, uma atitude extremamente suspeita.

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