Realmente, não lhe davam um minuto de paz, como se todos tivessem combinado: assim que um saía, outro aparecia.
— O valor, claro, depende do que a polícia disser.
— Mas o problema é que tenho medo de que você não tenha como pagar.
— Não vá me aparecer com uma miséria de trinta ou cinquenta mil e dizer que não tem dinheiro, Rafael Soares, não passe essa vergonha.
— Se você não tiver o dinheiro da indenização, eu vou pedir para sua mãe.
— Vamos ver se ela vai pagar para salvar a cara da família Soares!
A mãe de Beatriz levantou-se, encarando Rafael Soares com severidade, e soltou essa ameaça antes de se virar para sair.
Antes de ir, ainda lançou um olhar fulminante ao empregado ao lado, ordenando que não a seguisse, pois sabia o caminho da saída.
Depois que eles foram embora, Rafael Soares soltou um longo suspiro, levantou-se e caminhou em direção ao quarto.
Ao deitar na cama, Rafael Soares sentiu que daria tudo para fechar os olhos e, ao abri-los, voltar ao tempo antes da briga com Helena Gomes.
Os lençóis e a roupa de cama ainda eram os que Helena Gomes havia escolhido.
Parecia que o cheiro dela ainda estava ali, tão perfumado.
Ele levantou o cobertor e se enterrou nele, respirando fundo e soltando o ar com frustração.
Encolheu-se em posição fetal, querendo fugir de tudo aquilo.
Mas, no fundo, sabia que não podia fugir; precisava dar uma resposta.
Como a mãe de Beatriz havia dito, se ele oferecesse uma quantia irrisória e Helena Gomes bloqueasse o pagamento, a mãe de Beatriz certamente iria atrás de sua mãe.
Sua mãe provavelmente pagaria, mas o que aconteceria depois era uma incógnita.
E ele não sabia quanto a polícia exigiria; se fossem alguns milhares, estaria bem.
Mas se fossem centenas de milhares, sua mãe certamente reclamaria.
E assim que a mãe de Beatriz procurasse sua mãe, Bento Soares ficaria sabendo.
Ele provavelmente contaria para Helena Gomes, que poderia vir intervir novamente.
Só de pensar nisso, sua cabeça doía.
Ele sentiu a presença de Helena Gomes cuidando dele a noite toda.
Sempre que sentia sede, bastava murmurar e a água chegava aos seus lábios.
Rafael Soares suspirou profundamente.
Com dificuldade, apoiou-se na cabeceira da cama e sentou-se, olhando para aquele quarto familiar, porém estranho.
Ao ver o porta-retratos vazio ao lado, sentiu como se uma faca tivesse sido cravada em seu coração.
Antes, tudo estava ao seu alcance, mas ele não valorizou.
Só agora, depois de perder, é que começava a sofrer.
— Bzz, bzz. — O celular na mesa de cabeceira vibrou de repente.
Rafael Soares estendeu a mão e pegou o aparelho.
Ao ver quem ligava, franziu a testa com força.
Após alguns segundos de hesitação, atendeu a chamada.

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