“Será possível que alguém da família Auth também tinha sangue raro, como o meu, e esteja tentando me manter por perto como um “banco de sangue” permanente?” Desde pequena, por causa do ambiente hostil em que cresci, aprendi a enxergar a verdadeira face das pessoas e a desconfiar das intenções alheias.
Se até mesmo os meus próprios parentes foram tão cruéis e calculistas, por que alguém que não tem nenhum laço de sangue comigo seria tão bom e generoso? E eu, ingênua, achava que era apenas sorte, que tinha encontrado um “anjo protetor”.
Lembrei-me do almoço de alguns dias atrás, no Condomínio Florensa, quando a Sra. Auth soltou aqueles comentários enigmáticos e cheios de segundas intenções. Isso só reforçou minha convicção de que a aproximação da família Auth não era nada inocente.
Além disso, não foi o próprio Davi que, certa vez, disse que a família Auth era “um mar profundo” e que eu não tinha chance contra Jean? Será que ele sabia de algo que eu ainda não entendia completamente?
Quanto mais eu pensava, mais assustada ficava. Até me senti arrepiada ao lembrar das vezes em que fui sozinha ao Condomínio Florensa. Como fui imprudente! Que sorte a minha de estar viva.
Aquele lugar, isolado no meio da serra, com um complexo de construções tão grande que até visitantes poderiam se perder. Se eles quisessem fazer algo comigo, eu não teria a menor chance de escapar. Talvez tenha sido minha mãe e meu avô, lá do céu, que me protegeram de algo pior.
Enquanto esses pensamentos me consumiam, senti o corpo arrepiar. O medo de tudo o que poderia ter acontecido se misturava com uma sensação de ridículo. Eu, que sempre fui tão desconfiada e lógica, perdi completamente o senso depois de conhecer Jean. Passei dias fantasiando que talvez ele tivesse algum interesse especial em mim. Que piada!
E se toda essa gentileza fosse apenas um plano meticuloso para me atrair, para que eu, no final, entregasse de bom grado minha vida?
De repente, meus devaneios românticos se desfizeram como fumaça, e eu finalmente recuperei a clareza. Mas a pergunta que restava era: como me afastar da família Auth?
Ainda havia tantos pedidos de roupas deles para entregar. Deveria devolver o dinheiro e cancelar os contratos? Ou repassar as encomendas para outros designers?
Minha mente estava um caos, enquanto eu tentava encontrar uma solução. Foi então que meu celular tocou de novo. Olhei para a tela e vi o nome de Jean. Ele finalmente me ligou.
Mas, em vez da expectativa e alegria que normalmente sentia ao falar com ele, fui tomada por pânico, medo e confusão. Não tive coragem de atender.
O celular continuou tocando, e eu respirei fundo, tentando me acalmar. Não tinha como fugir para sempre. Mais cedo ou mais tarde, eu teria que enfrentar a família Auth e esclarecer tudo. Precisava encontrar uma justificativa perfeita para me afastar, sem criar inimigos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Traída no Altar: O Magnata Está ao Meu Lado
Poxa... Queria ler a história, já tá concluída no buenovela, porque não atualizam aqui?...