Lembrei-me de algo que Davi tinha comentado alguns dias atrás: ele não tinha cento milhões. Isso me deu uma pontinha de esperança. Se eles realmente não tivessem dinheiro suficiente, minhas chances de vencer esse leilão ainda eram grandes.
A sessão começou rapidamente.
Essa casa de leilões era uma das mais renomadas do mundo, conhecida por organizar eventos beneficentes que atraíam bilionários de todos os cantos, tanto do país quanto do exterior. Meu olhar vagou pela sala e reconheci algumas faces familiares empresários influentes de Cidade Saurimo.
As peças que abriram o evento já eram impressionantes: pinturas raras, porcelanas antigas… O item mais barato foi arrematado por uma quantia superior a alguns milhões. Os lances fluíam como água. Para a maioria ali, gastar pequenas fortunas parecia tão simples quanto comprar um café.
Enquanto observava a cena, senti uma pontada de preocupação. E se o preço do Bracelete de Jade disparasse? Será que conseguiria competir?
Davi e Clara estavam sentados não muito longe de mim. Eles cochichavam entre si com uma intimidade irritante, como se formassem o casal mais apaixonado do mundo. Era difícil acreditar que, dias atrás, tinham protagonizado um escândalo público, discutindo tão feio que todos comentavam.
Vi que eles levantaram a plaquinha algumas vezes, mas aparentemente só estavam brincando. Não arremataram nada, apenas fingiam interesse.
Enquanto eu estava distraída, sentindo o peso da exaustão, algo cutucou meu braço. Virei a cabeça, e lá estava Clara, inclinada na direção de Davi para me provocar.
— Mana, por que você não está dando lances? Não gostou de nada? — Perguntou Clara, com aquele tom falsamente inocente que só ela conseguia usar.
“Vadia.”
Pensei com desprezo, mas me limitei a revirar os olhos e ignorá-la. Fingir que ela não existia parecia a melhor estratégia.
Mas Clara não desistiu.
— Se você viu algo que gostou, mas está sem dinheiro, é só falar. Podemos arrematar para você. — Continuou Clara, forçando um sorriso que me fez querer vomitar.
Olhei para ela e devolvi com um sorriso carregado de ironia:
— Legal, então vou cobrar isso de vocês depois. Não voltem atrás, hein.
— Claro que não! Somos uma família, não somos, Davi? — Disse ela, se virando para Davi com um olhar de cumplicidade forçada.
Davi permaneceu em silêncio, mas seus olhos se fixaram em mim de uma forma que eu não consegui decifrar. Havia algo naquele olhar que misturava arrependimento e algo mais... mas eu não tinha tempo nem paciência para tentar entender.
Logo chegou o momento mais aguardado: o Bracelete de Jade.
O apresentador começou explicando a origem da peça. Um bracelete raro, esculpido a partir de jade de altíssima qualidade, oriundo de Mianmar. Sua superfície era tão perfeita que parecia leite condensado sólido, com uma textura translúcida e suavemente brilhante. Um exemplo clássico do que se chama de "jade branco gordura de carneiro", uma peça de valor inestimável tanto para colecionadores quanto para amantes de joias.
Ao ouvir a descrição, senti uma onda de emoção. Lembrei-me do dia em que minha mãe me entregou aquele bracelete, no meu aniversário de dezoito anos. Naquele dia, ela me explicou a história da peça com um orgulho velado. O bracelete tinha sido um presente de um governante ao meu bisavô, que, na época, era uma figura política de destaque. Originalmente, eram dois, mas um deles foi destruído durante os anos de guerra e fuga. Esse era o único sobrevivente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Traída no Altar: O Magnata Está ao Meu Lado
Poxa... Queria ler a história, já tá concluída no buenovela, porque não atualizam aqui?...