— Kiara... Você... você é desprezível! Você é cruel, fria como uma cobra! Sua mente é cheia de veneno! — Isabela ficou em silêncio por um longo tempo, procurando brechas nas minhas palavras. Quando não encontrou nenhuma, acabou explodindo, tremendo de raiva, com a voz trêmula de ódio.
Eu apenas mantive um sorriso tranquilo, impassível. Era incrível como, mesmo depois de tudo o que fizeram comigo as humilhações, acusações e até armações, eles sempre se colocavam como vítimas. E, pior, depois que eu conseguia reverter a situação, ainda tinham a coragem de me atacar, como se o mal fosse meu. Era inacreditável o nível de hipocrisia e desfaçatez.
Peguei minha xícara de chocolate quente, planejando dar mais um gole antes de sair. Porém, pelo canto do olho, percebi um movimento brusco de Isabela. Ela estendeu a mão em direção à sua xícara de café.
Tudo aconteceu em questão de segundos. Ao ver que ela estava prestes a me jogar o café, meu corpo reagiu antes mesmo de eu pensar. Num reflexo, eu arremessei o restante do meu chocolate quente na direção dela!
Os dois líquidos, de tons marrons, colidiram no ar. Mas, como o café dela já estava quase no fim e eu tinha mais força e mais líquido na minha xícara, o resultado foi óbvio: o conteúdo que eu joguei não só anulou o dela, como ainda a atingiu em cheio, junto com o pouco de café que ela tentou lançar em mim.
Se eu não tivesse demorado meia hora para descer, o café dela ainda estaria cheio e, nesse caso, talvez o resultado fosse bem diferente. Poderia ter sido um desastre para os dois lados. Mas, como dizem, o destino tem suas formas misteriosas de agir. Parecia que até Deus estava do meu lado naquela manhã.
O barulho e a confusão pegaram todos de surpresa. Os clientes ao redor arregalaram os olhos, chocados com a cena.
Isabela ficou completamente imóvel, segurando a xícara. Ela parecia congelada, sem reação, talvez atordoada pelo que acabara de acontecer.
Eu recuperei a compostura rapidamente, levantei-me e puxei algumas folhas de papel-toalha. Caminhei até ela com um tom de voz exageradamente apologético:
— Ai, que desastre! Mil desculpas, minha mão escorregou e acabei derrubando o chocolate em você.
Sem esperar por uma resposta, comecei a limpar sua roupa com as toalhas de papel, fingindo uma preocupação sincera.
Isabela usava um casaco de lã dupla face de cor clara. O chocolate quente, por ser mais denso, grudou na superfície da lã, e, quanto mais eu tentava “limpar”, pior ficava. O tecido parecia absorver a sujeira, deixando o casaco ainda mais manchado e em um estado deplorável.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Traída no Altar: O Magnata Está ao Meu Lado
Poxa... Queria ler a história, já tá concluída no buenovela, porque não atualizam aqui?...