O policial, sem paciência para continuar ouvindo Carlos, virou-se para mim e perguntou:
— Srta. Kiara, poderia nos acompanhar até a delegacia? De acordo com o protocolo, precisamos registrar seu depoimento.
— Claro. — Respondi.
Afinal, fui eu quem fez a denúncia. Era minha obrigação colaborar com a investigação.
Carlos foi levado algemado. Os funcionários de sua nova empresa assistiram à cena sem saber o que dizer, completamente atônitos. Pobres coitados... Mal haviam começado a trabalhar e já teriam que procurar outro emprego, porque a empresa estava fadada a fechar as portas.
Fui até a delegacia com os policiais e, após colaborar com todo o procedimento e terminar o depoimento, já era sete da noite. Quando saí, olhei para as luzes da cidade que brilhavam por toda parte e senti uma saudade profunda da minha avó. Resolvi então dirigir até a casa dela para jantar.
Contei-lhe toda a história, desde o início até o desfecho. Ela ficou visivelmente contente:
— Finalmente eles estão pagando pelo que fizeram! Viveram tantos anos de luxo e impunidade, foi até pouco. Pena que sua mãe não viveu para ver esse dia.
— Vó, é verdade. Obrigada por me lembrar disso. Amanhã vou ao cemitério visitar minha mãe e contar tudo para ela também. — Respondi, tentando acalmá-la.
Minha avó balançou a cabeça, concordando com entusiasmo:
— Faça isso, minha querida. Conte tudo para ela. Ela merece ficar feliz onde quer que esteja.
No dia seguinte, pela manhã, fui ao cemitério com um buquê de flores frescas. Sentei-me diante da lápide da minha mãe e fiquei lá por cerca de uma hora. Conversei com ela sobre tudo: o abandono de Davi, a traição de Clara, as armações de Carlos, a morte de Clara, a queda de Carlos... e o fato de que agora ele iria para a prisão.
Quando terminei de desabafar, senti que havia dito tudo o que precisava. Porém, enquanto me levantava, uma imagem começou a surgir na minha mente: um rosto bonito, elegante, quase aristocrático.
Ao pensar nele, uma sensação de calor começou a se espalhar pelo meu peito, como uma chama suave que me aquecia por dentro. Mesmo estando sozinha, não pude evitar um sorriso tímido e um rubor que subiu às minhas bochechas.
— Mãe, tem mais uma coisa... acho que... me apaixonei por alguém. Ele disse que eu salvei a vida dele duas vezes quando éramos crianças, e que tudo de bom que ele faz por mim agora é por gratidão. Mas eu sinto que... não é só isso. Parece que é algo muito mais profundo que simples gratidão. Só que, mãe, a diferença entre nós é imensa. Mesmo que a família Mendes não tivesse caído, eu ainda não seria boa o suficiente para ele. E agora, com a família Mendes arruinada e Carlos indo para a prisão... eu sou a filha de um homem que vai acabar atrás das grades. Essa mancha nunca vai sair da minha vida. Como posso sequer sonhar em estar ao lado dele?
Fiz uma pausa e continuei:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Traída no Altar: O Magnata Está ao Meu Lado
Poxa... Queria ler a história, já tá concluída no buenovela, porque não atualizam aqui?...