Alguém iria morrer? O efeito do remédio para dormir ainda deixava minha cabeça pesada. Abri a porta e encarei Davi com um sorriso cínico:
— Clara vai morrer?
Aquela provocação foi o suficiente para acender sua fúria.
— Kiara! Não seja tão cruel! — Davi exclamou, a expressão sombria em seu rosto era algo que eu nunca tinha visto antes.
Franzi o cenho, sem paciência para discutir, e tentei empurrá-lo para fora enquanto fechava a porta. Mas Davi foi mais rápido. Com um gesto brusco, ele chutou a porta, forçando-a a abrir novamente, e segurou meu braço com força.
— Davi, o que você pensa que está fazendo? Invadir minha casa? Eu vou chamar a polícia! — Gritei, lutando para me soltar. A raiva me dominou, e acabei dando-lhe um tapa no rosto.
Ele ignorou o golpe. Sem dizer uma palavra, me arrastou para fora e me empurrou para dentro do carro dele de forma firme e decidida.
— Você está louco? Me deixa sair agora! — Protestei, tentando abrir a porta, mas era inútil.
— Clara está entre a vida e a morte. Você vai comigo para o hospital! — Davi declarou, pisando fundo no acelerador. O carro avançou pela estrada deserta, rasgando a madrugada.
Confusa, retruquei:
— E o que eu tenho a ver com isso? Eu não sou médica!
Davi permaneceu em silêncio, o olhar fixo na estrada. Sua expressão era tensa, quase assustadora. Segurei o puxador da porta com força, temendo que ele perdesse o controle do carro em meio àquele surto. Quando finalmente chegamos ao hospital, as coisas começaram a fazer sentido. Clara havia vomitado sangue de forma repentina e estava sendo submetida a uma cirurgia de emergência.
Mas o verdadeiro motivo para eu estar ali logo veio à tona: o hospital não tinha sangue suficiente para ela, e, mais uma vez, eu estava sendo tratada como um "banco de sangue ambulante". Ao ouvir isso, fiquei paralisada, a incredulidade tingindo cada linha do meu rosto. Era tão absurdo que beirava o cômico.
— Por que acham que eu vou doar sangue para ela? A vida dela vale mais que a minha? Eu sou menos que um nada? — Disparei, a voz carregada de sarcasmo e desprezo.
Davi me encarou com frieza, como se minha revolta fosse uma inconveniência;
— Se ela não receber sangue a tempo, vai morrer. Você doa um pouco e depois se recupera. Não é o fim do mundo.
E então, como se quisesse me atingir ainda mais, ele completou:
— Você já me doou sangue por anos e nunca morreu por isso, não é?
Eu fiquei sem palavras.
Antes que pudesse reagir, Isabela apareceu no corredor, nervosa, e já foi falando alto:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Traída no Altar: O Magnata Está ao Meu Lado
Poxa... Queria ler a história, já tá concluída no buenovela, porque não atualizam aqui?...