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Sinto muito, Sr. Teófilo, a senhora faleceu romance Capítulo 1022

Teófilo foi atingido no rosto por um grão e, irritado, jogou as vagens de volta na cesta:

— Paloma, eu não consigo.

— Jovem, não fique tão irritado. Sei que você vem de uma família nobre e nunca fez esse tipo de trabalho, mas precisa entender algo: seus olhos não vão melhorar em dois ou três dias. Você precisa começar a se adaptar à vida de uma pessoa cega.

Teófilo hesitou, percebendo que Paloma estava tentando fazê-lo se exercitar.

Patrícia havia dito algo semelhante, naquela época, ele estava tão absorto na alegria do reencontro com Patrícia que mal se preocupou com seus olhos.

A lembrança das palavras de Paloma o fez encarar a realidade:

— Paloma, quanto tempo até meus olhos melhorarem?

— É difícil dizer. Se for rápido, talvez três a cinco meses. Se for devagar, pode ser um ano ou até mais. O melhor seria esperar o veneno dissipar completamente antes de ir ao hospital para um exame detalhado. Problemas de visão não são fáceis de tratar, não espere uma cura rápida.

Teófilo sentiu um peso no coração. Antes, ele achava que sobreviver já era uma grande vitória, mas agora tudo o que conseguia pensar era em Patrícia. Como ele, agora cego, poderia se comparar aos outros?

Vendo a ansiedade em seu rosto, uma mão pequena e suave tocou o dorso da sua mão, como para confortá-lo.

Essa mão pequena parecia possuir uma força misteriosa, suavizando lentamente a tensão em Teófilo.

Ele relaxou, se sentou e continuou a descascar as ervilhas.

Laís pegou o instrumento musical que Patrícia havia feito para ela e se sentou na pequena ponte, tocando tranquilamente.

Ela executava uma canção etérea.

Era um momento de paz e beleza.

Naquela noite tranquila, era como se a luz da lua caísse silenciosamente, sua luz sagrada purificando tudo ao redor, acalmando gradualmente as emoções de Teófilo.

Ele se concentrava em descascar as vagens, absorvendo também o mundo ao seu redor.

Na música sublime, pequenos insetos acompanhavam a melodia, ao longe se ouvia o som de pássaros batendo asas, e um gavião emitia leves piados dos galhos das árvores.

Seu mundo silencioso e vazio de repente se enchia de vida.

Sim, ele concentrava todo o seu pensamento em Patrícia, negligenciando tudo ao seu redor.

Após terminar uma cesta de ervilhas, o relógio marcava nove e meia.

Em uma pequena vila onde não havia atividades noturnas, e as pessoas começam a trabalhar ao nascer do sol e descansam ao pôr do sol, esse horário já era considerado tardio para dormir.

Teófilo também se sentia cansado.

Laís tentou explicar que não era isso, mas não conseguia encontrar as palavras certas, sem saber como se comunicar claramente com Teófilo.

Teófilo parecia muito ansioso, e Laís, sem opções, o guiou pela mão até o segundo andar.

Os sons continuavam, Patrícia parecia estar sofrendo.

— Dói.

— Aguente um pouco.

Cada frase era como uma facada nas feridas de Teófilo, seu coração sangrando profusamente.

"Paty."

"O que minha Paty está fazendo?"

Neste momento, ele não conseguia controlar o tremor em todo o seu corpo.

Era raiva ou medo.

À medida que se aproximavam da porta do quarto, Laís a empurrou para abrir.

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