— É verdade, como a saúde dos meus avós não está muito boa, ela prolongou a estadia na Capital.
Henrique Ramos respondeu com uma expressão bastante serena.
— E você e ela...
— Come! — Sabrina Batista pegou um tomate-cereja e enfiou na boca de Oceana Reis.
Oceana Reis soltou um murmúrio abafado, com a boca repentinamente cheia.
— Isso mesmo, vamos comer rápido.
— Provem esses filés de peixe, são super frescos, cortados na hora — disse Fernando Moraes, pegando os talheres.
Oceana Reis começou a comer de má vontade.
— Como estão as coisas no trabalho? — Ela aproveitou a primeira brecha para voltar a demonstrar preocupação por Sabrina Batista.
— Está tudo bem, é só meio período, não é muito puxado.
— Não precisa se preocupar comigo, e muito menos com a Lelê. Enquanto estou no trabalho, a Kiara e a Julia cuidam muito bem dela — Sabrina Batista abriu um sorriso.
Após dizer isso, ela virou o rosto para olhar Henrique Ramos e acrescentou: — O Henrique Ramos também tem ajudado bastante.
O que ela não sabia era que, durante o seu turno, Lelê mal passava pelas mãos de Julia e Kiara.
Era Henrique Ramos quem cuidava dela o tempo todo.
— Então você deveria agradecer ao Henrique Ramos.
Fernando Moraes comentou, aproveitando a deixa.
Agradecimentos verbais, Sabrina Batista já nem sabia mais quantas vezes havia feito.
Sabrina Batista serviu um copo de suco e brindou levemente com o copo de Henrique Ramos.
— Realmente devo agradecer. Brindo com suco, espero que não se importe.
— Você pode compensar com vinho futuramente — respondeu Henrique Ramos, repousando os talheres e pegando o copo com os seus dedos de juntas marcadas.
— Cof, cof...
Ao ouvir aquilo, Sabrina Batista engasgou com o suco.
Henrique Ramos afastou o copo que já estava próximo à boca e levantou a mão para dar leves tapinhas nas costas dela.
— Foi só uma brincadeira, para que tanta afobação?
Até para que elas conversassem um pouco intimamente era difícil.
A atmosfera peculiar, o constrangimento e as mudanças repentinas de clima faziam com que o momento passasse longe da animação que ela esperava.
Felizmente, Fernando Moraes e Henrique Ramos terminaram de comer rápido e foram para a sala, levanda Lelê e Carlitos consigo.
Após beber um pouco de vinho, Oceana Reis segurou a mão de Sabrina Batista e começou a conversar num tom mais emotivo.
— Lembra de quando estávamos na faculdade? O nosso sonho era comprar um apartamento na Capital para morarmos juntas. Quem diria que acabaríamos vindo para a Cidade S?
Ela abraçou o braço de Sabrina Batista e deitou a cabeça no ombro da amiga.
Sabrina Batista suportou todo o peso do corpo dela se inclinando em sua direção.
— Esse sonho meio que se realizou, afinal, você não comprou o apartamento? A única diferença é que os tempos mudaram e a vida tomou outro rumo. Mas agora que estamos na Cidade S, não continuamos juntas da mesma forma?
Assim que concluiu a frase, sentiu um calor úmido no ombro.
Lágrimas grossas molhavam a sua roupa e pingavam no braço de Sabrina Batista, escorrendo lentamente.
— Eu sempre achei que nós duas encontraríamos os nossos lares e teríamos pais maravilhosos. Se não tivéssemos, poderíamos simplesmente adotar a família uma da outra. Mas por que as coisas acabaram desse jeito?
Se soubesse que seria assim, teria preferido nunca vir para a Cidade S.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!