— Ele saiu?
Sabrina Batista parou o movimento de arrumar os talheres por um instante.
Sua intenção inicial ao cozinhar era reunir Julia e Kiara para comerem juntas, esperando que elas cuidassem bem de Lelê no futuro.
Mas, no fundo, a maior motivação era agradecer a Henrique Ramos.
Sabrina Batista sabia reconhecer as boas atitudes das pessoas. Não importava os motivos por trás das ações inexplicáveis de Henrique Ramos, tudo o que ele havia feito tinha sido para o bem dela e, de fato, a ajudara muito.
— Sim — respondeu Julia, aproximando-se com Lelê nos braços e espiando pela janela. — Ele não te disse para onde ia?
Sabrina Batista balançou a cabeça negativamente.
Ele não apenas não disse o que iria fazer, como sequer avisou que estava de saída.
— Vamos comer. — Ela organizou os pratos e fez um gesto para que Kiara e Julia se sentassem à mesa.
As duas funcionárias já haviam tentado convencer Sabrina Batista a não voltar a trabalhar, usando os mesmos argumentos de Oceana Reis: Lelê ainda era muito pequeno e precisava da presença materna.
Mas, diante da determinação de Sabrina Batista, elas não tiveram escolha a não ser desistir.
— Sabrina, pode deixar o menino conosco de olhos fechados. E você só vai ficar fora durante a manhã. À tarde e à noite ainda poderá passar o tempo com o Lelê. Não se sinta tão culpada, tudo isso é para garantir o futuro de vocês.
Kiara percebia o quanto Sabrina Batista sofria com a ideia de se separar do filho.
Por diversas vezes, a viu segurando Lelê com um olhar cheio de dor e remorso.
— Fico tranquila sabendo que ele está com vocês, mas ainda sinto que estou falhando como mãe.
Além desse sentimento, o coração de Sabrina Batista estava carregado de ansiedade.
No futuro, quando voltasse a trabalhar em período integral, seu tempo ao lado de Lelê seria cada vez menor.
Para garantir a ele a melhor vida possível, ela não tinha alternativa a não ser trabalhar arduamente. O problema é que a vida sempre trazia imprevistos cruéis.
A imagem calorosa e reconfortante que havia construído em sua mente sobre a relação entre mãe e filho, ao se chocar com a realidade, revelava-se muito mais difícil.
— Senhora, você precisa cuidar da saúde enquanto trabalha. Me avise com antecedência que horas você volta amanhã, assim eu posso preparar o almoço na hora certa.
Julia serviu um pouco de comida no prato de Sabrina Batista.
Afinal, Sabrina era uma coordenadora recém-chegada que havia sido transferida da empresa rival, a Quinto Andar.
Embora sua competência fosse indiscutível, o fato de vir de uma concorrente direta pesava.
Para complicar, logo após entrar na empresa, ela tirou licença-maternidade e, no retorno, ainda abriu um precedente ao trabalhar meio período. Certamente, isso geraria descontentamento entre os colegas.
Sabrina Batista: 【Não precisa, eu dou conta do recado sozinha.】
Ricardo Carneiro: 【Então me deixe ver de perto como a Senhorita Batista lida com isso!】
Diante daquela resposta, Sabrina Batista não tentou mais dissuadi-lo. Guardou o celular e deitou-se para dormir com Lelê.
A pele do pequeno, antes um pouco escura e amarelada, havia clareado. Seus traços estavam mais definidos, deixando-o muito mais bonito do que o bebezinho enrugado que parecia um velhinho logo que nasceu.
Sabrina Batista acariciou a cabeça macia do filho, observando seus grandes e expressivos olhos negros. Seu coração se encheu de uma ternura profunda, acompanhada de um aperto melancólico.
— Meu pequeno Lelê, a mamãe vai ganhar muito dinheiro, comprar comidas deliciosas e vestir você com roupas lindas no futuro, está bem?
Ela respirou fundo, os olhos marejados, enquanto uma lágrima quente escorria pelo canto do rosto.

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