Nos dias seguintes, além de cuidar de Lelê, Sabrina Batista passou a maior parte do tempo mergulhada no trabalho dentro do próprio quarto.
Embora vivessem sob o mesmo teto, ela e Henrique Ramos só se esbarravam na sala de jantar durante as três refeições diárias.
À noite, ela cuidava de Lelê sozinha, mas, ao acordar pela manhã, sempre notava as marcas de que alguém havia se deitado no outro lado da cama.
O quarto ficava todo com o cheiro fresco e agradável de Henrique Ramos, e por isso ela sabia que ele estivera ali.
Ele vinha depois que ela adormecia e ia embora antes que ela acordasse.
No meio da rotina corrida, um sentimento estranho apertava o coração de Sabrina, deixando-a com um leve desconforto.
E era justamente por causa de Henrique Ramos que aquela sensação se tornava tão indescritível.
Como Oceana Reis ainda não sabia sobre a reconciliação do casamento, Sabrina Batista não tinha com quem desabafar e precisava guardar tudo para si.
— Fique tranquila, minha mãe não gostou muito, mas não brigou comigo. Ela não tem coragem.
Naquele dia, depois de voltarem do haras, Oceana Reis ligou para Sabrina Batista e a confortou por um longo tempo.
Sabrina Batista garantiu que estava tudo bem, mas a amiga continuou ligando dia sim, dia não para conversar, repetindo as mesmas coisas com medo de que Sabrina estivesse guardando mágoas.
— O seu tom de voz nas últimas conversas está estranho. É por causa daquilo? Eu já te disse, eles jamais teriam coragem de brigar comigo!
Sabrina Batista a interrompeu.
— Não, é por causa do trabalho.
— A sua licença-maternidade ainda dura vários meses. Por que você está se preocupando com trabalho agora? — perguntou Oceana Reis.
— Eu pretendo voltar ao trabalho no mês que vem.
Assim que Sabrina Batista terminou de falar, ouviu o grito de Oceana Reis do outro lado da linha.
— De jeito nenhum! Lelê ainda é muito pequeno, é agora que ele mais precisa da mãe. Se você for trabalhar, como ele fica?
Oceana Reis a repreendeu com firmeza.
— A chance de ver o filho crescer só vem uma vez na vida; você precisa estar com ele!
— Eu só vou voltar ao escritório, não vou desaparecer do mapa. É um regime de meio período e eu ainda receberei o salário integral. Por que não faria isso?
Normalmente, a licença-maternidade era remunerada.
Mas a situação de Sabrina Batista era diferente. Como ela havia acabado de entrar na Pipefy antes de tirar a licença, não tinha direito a esse benefício.
— Você está precisando de dinheiro?
— Mesmo que você me transfira todo esse dinheiro, isso não vai me impedir de voltar ao trabalho. Não se preocupe comigo, eu vou organizar muito bem a minha rotina e a do Lelê.
Um silêncio tomou conta da linha.
Depois de um longo tempo, Oceana Reis suspirou.
— Você é tão orgulhosa que não aceita ajuda de ninguém.
Talvez ela não compreendesse que não era orgulho. Sabrina Batista simplesmente não tinha em quem se apoiar; ela só podia contar consigo mesma.
Ao longo de seus vinte e poucos anos, Sabrina Batista já havia sonhado algumas vezes com a ideia de ter uma família feliz e unida, com alguém que a protegesse.
Mas, naquele momento, todos esses sonhos haviam sido destruídos.
Em quem Sabrina Batista poderia se apoiar?
O fato de seu ex-marido, Henrique Ramos, ter se tornado seu escudo contra as artimanhas da Família Couto já era uma surpresa inacreditável.
Mas, ainda assim, era apenas um escudo temporário.
— Então eu não vou insistir. Mas se acontecer qualquer coisa, prometa que vai me mandar mensagem, está bem?

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