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Senhor Ramos, ele não é seu filho! romance Capítulo 627

Uma hora depois, a mesa estava farta com quatro acompanhamentos e uma sopa.

Sabrina Batista e Henrique Ramos sentaram-se em lados opostos da mesa, com o carrinho do Lelê acomodado entre eles.

Henrique Ramos serviu a sopa, puxou a cadeira e sentou-se. No entanto, antes mesmo que pudesse ajeitar as mangas e pegar os talheres, um pedaço de papel foi colocado à sua frente.

A caligrafia no papel lhe era extremamente familiar; fora escrita por Sabrina Batista.

Leite em pó, fraldas, brinquedos e despesas diárias com as três refeições, tudo calculado com o valor total no final.

— Esse é o valor de tudo o que você comprou para o Lelê nesse tempo, além das despesas com comida. Dê uma conferida. Se não houver nenhum problema, eu transfiro o dinheiro para você daqui a pouco.

Apenas pensar naquela sequência de números já causava um aperto no coração de Sabrina Batista.

Seus bolsos ficariam vazios de uma hora para a outra.

Ela também não desejava voltar ao trabalho tão cedo; afinal, o Lelê ainda era muito pequeno.

Contudo, a pressão da vida não lhe dava escolha.

— Você me fez voltar hoje cedo só para me dizer isso? — O semblante de Henrique Ramos fechou-se abruptamente.

— Sim — Sabrina Batista assentiu. Sentindo a leve insatisfação dele, apressou-se em explicar: — Não é nada demais, será que acabei atrapalhando o seu trabalho?

Será que Henrique Ramos havia imaginado que ela tinha algum assunto muito sério para tratar, algo relacionado à Família Couto?

E que, por causa disso, ele havia cancelado seus compromissos para voltar para casa?

— Não.

Henrique Ramos olhou fixamente para cada item detalhado na conta. Ela havia registrado tudo de forma meticulosa.

Ele pousou o papel sobre a mesa, tamborilando levemente a superfície com a ponta dos dedos.

— Por que você não incluiu as despesas de hospedagem?

Sabrina Batista engasgou.

— E além disso, naquele dia em que dei duro e me esforcei tanto, você não vai me dar nenhuma gorjeta?

A frase de Henrique Ramos caiu como uma bomba.

Sabrina Batista respirou fundo. Durante todos aqueles dias, ela havia lutado intensamente para apagar as lembranças daquele momento da memória.

E com apenas uma frase, ele trouxe tudo de volta à tona.

Subitamente, Henrique Ramos sentiu que a comida em sua boca havia perdido completamente o sabor.

Mastigar tornou-se tão insípido quanto mascar cera. A linha de seu maxilar ficou perfeitamente tensa, e as veias de sua mão, que segurava os talheres com força, saltaram de forma evidente.

— O Luan Macedo vai ser deposto em breve. Você deveria considerar voltar para a filial.

— Não, obrigada. Eu já confirmei a oferta da Pipefy, se eu desistir, vou ter que pagar uma multa por quebra de contrato — recusou Sabrina Batista de maneira categórica.

— Eu posso arcar com a multa — respondeu Henrique Ramos.

As sobrancelhas de Sabrina Batista franziram-se involuntariamente.

Ela percebeu que Henrique Ramos, desde sua postura irracional anterior até a súbita sobriedade do momento, estava falando extremamente sério o tempo todo.

— Eu não vou voltar para a Quinto Andar.

Ela pronunciou cada palavra de forma clara e pausada.

— Que tipo de vantagem o Ricardo Carneiro te ofereceu? — A expressão de Henrique Ramos escureceu ainda mais.

— Nenhuma vantagem, é apenas um emprego normal.

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