Ela deslizou o dedo pela tela, atendendo a chamada enquanto caminhava para fora.
— Por que você está com tanta pressa para voltar ao trabalho? Diga logo, o Henrique Ramos está dificultando as coisas para você? Ou ele descobriu a verdade sobre o Lelê?
A voz escandalosa de Ricardo Carneiro soou do outro lado da linha.
— Não, é só que eu realmente quero voltar a trabalhar — respondeu Sabrina Batista em voz baixa, parada do lado de fora da janela da copa.
— Ah? — O grande drama imaginário de Ricardo Carneiro, onde Henrique Ramos oprimia Sabrina Batista, chegou a um fim abrupto.
Ele se acalmou um pouco, respirou fundo e disse: — Eu já avisei o pessoal da empresa, sua vaga está garantida. Não precisa ter pressa para voltar, o Lelê ainda é muito pequeno.
— É melhor eu antecipar minha volta. Por favor, solicite para mim o regime de meio período em home office e veja se consegue me arranjar um alojamento para funcionários — pediu Sabrina Batista.
O Edifício Majestic ficava muito longe da Pipefy, o que tornava o trajeto inviável para ela.
— Isso tudo é fácil de ajeitar, mas eu continuo achando que você não deveria voltar com tanta pressa.
— Você ainda não resolveu os problemas com a Família Couto, não é? — aconselhou Ricardo Carneiro com um tom grave e sincero.
A cabeça de Sabrina Batista latejou; parecia que desgraça pouca era bobagem.
— Deixe isso para lá por enquanto. Só me ajude a organizar as coisas do trabalho.
Diante de sua insistência, Ricardo Carneiro parou de tentar dissuadi-la.
De qualquer forma, Ricardo Carneiro não via a hora de Sabrina Batista se mudar da casa de Henrique Ramos.
Ao meio-dia, Sabrina Batista e os outros almoçaram juntos no restaurante ocidental do clube hípico.
Henrique Ramos e Fernando Moraes não falavam muito, ocupando-se em cuidar de Carlitos e do Lelê, respectivamente.
Sabrina Batista e Oceana Reis trocavam algumas palavras de vez em quando sobre o assunto da Família Couto. O clima estava bastante ameno.
Antes mesmo de terminarem o almoço, o celular de Oceana Reis tocou. Era uma ligação de Elisa Sousa.
— Oceana, seu pai e eu já terminamos nossos compromissos. Vocês já se divertiram o suficiente? Podemos passar aí agora para buscar vocês?
— Não precisa, eu posso voltar sozinha — recusou Oceana Reis, instintivamente.
— Eu acredito nisso. Meus pais com certeza vão te entender quando a hora chegar — Oceana Reis assentiu com convicção.
— E se eles não entenderem? — intrometeu-se Fernando Moraes.
— Vira essa boca para lá! — Oceana Reis revirou os olhos para ele e pendurou a bolsa no braço. — Vamos embora.
Ela seguiu na frente, enquanto Fernando Moraes vinha logo atrás carregando Carlitos.
Sabrina Batista decidiu acompanhá-los até a saída e os seguiu para fora do restaurante.
No entanto, assim que chegaram à porta do restaurante, avistaram o carro de Marcel Couto se aproximando ao longe.
Eles haviam entrado de carro diretamente no complexo. Mesmo através das janelas do veículo, Sabrina Batista pôde sentir dois olhares fixos que a queimavam como brasas.
O carro parou suavemente ao pé da escada, e as portas se abriram.
Marcel Couto e Elisa Sousa desembarcaram, ambos com expressões incrivelmente sombrias.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!