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Senhor Ramos, ele não é seu filho! romance Capítulo 612

— Já passou a pomada como o médico mandou? — perguntou Henrique Ramos novamente.

A garganta de Sabrina Batista apertou ainda mais, a ponto de lhe dar vontade de arrastá-lo para longe da porta do seu quarto.

— Não se intrometa!

Ela franziu as sobrancelhas delicadas, com as orelhas vermelhas, mas, felizmente, a pouca luz disfarçava a sua reação.

No entanto, Henrique Ramos conseguiu perceber a vergonha e a irritação no tom de voz dela.

— Eu não consegui me conter naquele dia por causa do efeito do remédio. O médico disse que você precisa aplicar a pomada direito, caso contrário, vai sofrer muito.

Aquilo não era mentira.

Sabrina Batista nem planejava usar a pomada, mas o desconforto era imenso; a região estava inchada e ardendo, afetando até o jeito como ela caminhava.

Ela até havia passado um pouco, mas era difícil fazer aquilo sozinha, o que resultou em uma aplicação malfeita que parecia não ter surtido muito efeito.

— Vá se deitar, eu dou uma olhada.

A porta estava entreaberta e a luz amarelada era fraca. A voz profunda e magnética de Henrique Ramos fez com que a atmosfera íntima e ambígua entre um homem e uma mulher, sozinhos durante a noite, se acendesse instantaneamente.

— Não precisa — insistiu Sabrina Batista.

Eles haviam reatado o casamento por outros motivos. Mesmo estando casados novamente, ela não conseguia se soltar a ponto de chegar... àquele nível!

De repente, seu pulso foi agarrado com firmeza, e ela foi puxada para dentro do quarto, caindo sobre a cama pelo impulso.

As pontas dos dedos frios deslizaram para dentro de suas roupas, puxando habilmente sua calça de pijama antes mesmo que ela pudesse reagir —

— Está um pouco inchado e vermelho, aplicar a pomada pode doer, tente aguentar.

Henrique Ramos colocou um pouco da pomada nas pontas dos dedos e a espalhou delicadamente sobre a área afetada.

A sensação fria, misturada a um calor úmido, causava um tremendo desconforto!

O corpo de Sabrina Batista enrijeceu e ela instintivamente tentou fechar as pernas, mas a mão de Henrique Ramos segurando a pomada a impediu.

As respirações de ambos se misturaram. Ela arfava trêmula, enquanto o hálito quente de Henrique Ramos tocava a base das suas coxas, causando um formigamento que dava cócegas.

Felizmente, Henrique Ramos não disse mais nada e se deitou do outro lado da cama.

Lelê acordou duas vezes durante a noite. Após Sabrina Batista amamentá-lo, Henrique Ramos levantava-se para pegá-lo no colo e fazê-lo arrotar, só o deitando para dormir novamente depois disso.

Sabrina Batista dormiu muito bem naquela noite; aplicar a pomada uma única vez já havia aliviado bastante a dor da região machucada.

Pela manhã, ela acordou um pouco mais cedo do que de costume. Henrique Ramos e Lelê ainda dormiam.

Ele estava deitado de lado, com uma mão sob a cabeça e a outra repousando sobre Lelê. Mesmo dormindo, o contato da sua mão era incrivelmente suave.

Lelê estava virado para Sabrina Batista. Ao observar os dois rostos tão parecidos, um sentimento complexo de insegurança apertou-lhe o coração.

Sem saber se fora devido à intensidade de seu olhar, os olhos quase fechados de Henrique Ramos abriram-se de repente.

Os olhares se cruzaram, e Sabrina Batista entreabriu os lábios, perguntando: — Henrique Ramos, por que você é tão bom com o Lelê? Ele... nem é seu filho.

O rosto de Henrique Ramos assumiu uma expressão insondável. Ele voltou a fechar os olhos lentamente, demorando muito para dizer qualquer coisa.

Era como se aquela troca de olhares de instantes atrás não tivesse passado de uma ilusão de Sabrina Batista.

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