Entrar Via

Senhor Ramos, ele não é seu filho! romance Capítulo 595

Sabrina Batista havia se encontrado com Francisco Couto apenas algumas poucas vezes em toda a sua vida. Como estava usando máscara, entrou na sala privada e circulou debaixo do nariz dele por um bom tempo sem que ele a reconhecesse.

No entanto, ela não tinha a menor prática; precisava conferir o manual de treinamento a cada passo que dava para preparar a massagem.

Francisco Couto estava reclinado na maca, com as mãos sob a cabeça, observando-a calmamente enquanto ela tentava se encontrar.

Embora ele não a tivesse reconhecido, se continuasse daquele jeito, mais cedo ou mais tarde, acabaria se entregando.

— Senhor Couto, deite-se confortavelmente, por favor.

Sabrina Batista foi para a cabeceira da maca. — Vou massagear a sua cabeça para que possa relaxar.

Francisco Couto abaixou as mãos e finalmente resolveu falar.

— Você é nova aqui?

Sabrina Batista assentiu.

— Eu não quero novatas. Esta clínica não conhece as minhas regras?

Embora Francisco Couto a repreendesse, ele acabou se ajeitando na maca.

Sabrina Batista sentou-se, estendeu as mãos e começou a massageá-lo com técnicas bem amadoras.

— Peço desculpas. A minha supervisora teve um imprevisto e não pôde vir hoje, e todas as outras massagistas estão ocupadas, então sobrou apenas eu. Na hora de pagar a conta, eu darei um desconto. Por favor, sinta-se à vontade para dizer se algo não estiver do seu agrado.

Francisco Couto soltou um riso de escárnio, mas não disse mais nada.

Ele fechou os olhos. Não se sabia no que estava pensando, mas não apresentava aquela atitude debochada das vezes anteriores em que Sabrina Batista o havia visto.

— Essa pressão está boa? — perguntou Sabrina Batista mais uma vez.

— Está bom, continue. Vou tirar um cochilo.

Francisco Couto, irritado com a interrupção, respondeu num tom autoritário.

Sabrina Batista ficou em silêncio e continuou a massagear lentamente. Mirando as áreas onde o cabelo era mais denso, ela aplicou um pouco de força...

E arrancou dois fios de cabelo.

Francisco Couto apenas franziu a testa ligeiramente, sem demonstrar qualquer outra reação.

Francisco Couto abriu um sorriso, um tanto irônico. — Você me despreza, não é?

— Claro que não. — A força nas mãos de Sabrina Batista diminuiu bastante. — Por que o senhor Couto diria isso?

— Hoje é a festa de um mês do meu filho e das minhas filhas, mas eu, como pai, em vez de estar lá, venho até aqui para relaxar. Isso não é motivo para ser desprezado?

Francisco Couto perguntava e respondia a si mesmo. — Você deve saber, não é? Eu, Francisco Couto, consegui três de uma vez só: duas filhas e um filho. Hah, impressionante!

Os olhos de Sabrina Batista se moveram sutilmente; ela percebeu o sarcasmo e a impotência na voz de Francisco Couto em relação à existência daqueles "três filhos".

— Meus parabéns, senhor Couto.

— Parabéns pelo quê? — Francisco Couto abriu um pouco os olhos. Talvez, por ter reprimido seus sentimentos por tanto tempo, ele não tenha conseguido se conter e desabafasse com uma completa estranha: — Eu não passo de um peão para a Família Couto. E agora que eles arranjaram peões melhores, tanto faz se eu estou aqui ou não.

Sabrina Batista não esperava por aquilo. Fora ali apenas para arrancar dois fios de cabelo, mas acabou sendo forçada a ouvir todo aquele desabafo.

E, no fim das contas, nem sabia como responder.

— Quer saber? Esquece. Contanto que me deem uma vida sem preocupações financeiras pelo resto dos meus dias, acho que está ótimo. Pelo menos não me impedem de curtir com mulheres, de me divertir à vontade e de viver a minha juventude sem arrependimentos...

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!