Por que você enfiou a mão na minha boca?
Seria indelicado fazer aquela pergunta em voz alta, mas se Henrique Ramos não tivesse aproximado a mão, como ela teria conseguido mordê-lo?
No sonho, ela havia mordido com toda a sua força. Se seus dentes fossem apenas um pouco mais afiados, os dedos de Henrique Ramos não teriam sobrevivido.
Henrique Ramos saiu da cama e caminhou em direção ao banheiro.
— Aonde você vai? — Sabrina Batista o seguiu, querendo pegar a caixa de primeiros socorros para cuidar do ferimento.
— Lavar com água e sabão. — Respondeu Henrique Ramos.
O movimento de Sabrina Batista para pegar a caixa de remédios parou de súbito.
Ela deveria ter mordido ainda mais forte.
Meia hora depois, Sabrina Batista desceu as escadas levando Lelê.
— Sabrina, olha, essa não é a Oceana?
— Então ela era mesmo a filha perdida da família Couto... que sorte a dela. — Kiara aproximou-se segurando o celular.
No Jornal da Manhã de Lusitana, a manchete de capa anunciava que Marcel Couto daria um banquete no dia seguinte para apresentar formalmente a filha à sociedade.
Na foto da revista, Oceana Reis segurava Carlitos nos braços, posicionada entre Marcel Couto e Elisa Sousa.
À frente deles estava o irmão mais novo de Oceana Reis, Lucas Couto.
Ao fundo da imagem, servindo quase como cenário, estavam Wesley Couto e a Senhora Couto; as expressões do casal não pareciam nada boas.
Eles não aparentavam estar felizes pelo irmão ter finalmente encontrado a filha há tantos anos perdida.
— Escolheram muito bem essa foto.
Henrique comentou isso ao passar por Sabrina com uma xícara de café nas mãos.
— Você recebeu o convite enviado pela Família Couto? — Sabrina Batista abaixou o jornal matutino.
— Um convite digital. Foi enviado para o seu e-mail. — Henrique Ramos sentou-se à mesa de jantar. — Eu não tenho tempo, vá você mesma.
Sabrina Batista pegou o celular para verificar a caixa de entrada, mas seus movimentos pararam ao ouvir aquelas palavras.
— Eu?
— Entregue um presente a Marcel Couto em meu nome — disse Henrique Ramos.
— Tem certeza de que o que quer que eu entregue é um presente, e não um problema? — Sabrina Batista aproximou-se da mesa, encarando-o.
— Mãe.
— Mais tarde eu acerto as contas com você! — Daniela Vieira, sentada na cadeira, lançou-lhe um olhar severo.
Henrique Ramos caminhou até a janela e parou ali. Sua silhueta esguia bloqueava a luz do sol; com o rosto na penumbra, sua expressão tornava-se inescrutável.
Vanessa Fernandes mordeu o lábio inferior com força. Com aquela postura de Henrique Ramos, ela temia que seria extremamente difícil conseguir entrar para a Família Ramos novamente.
Todas as suas esperanças agora recaíam sobre Daniela Vieira; desde que a matriarca ainda aprovasse o casamento...
"Clique".
Fernando Moraes entrou por outra porta, segurando uma pilha de laudos médicos nas mãos.
— Senhora Carneiro, Henrique Ramos, perdoem-me pela demora.
Ele estendeu os relatórios para Henrique Ramos.
Henrique Ramos ergueu levemente o queixo, indicando que ele deveria entregá-los a Daniela Vieira.
— Fale logo, qual é o real estado de saúde dela! — Exigiu Daniela Vieira, impaciente.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!