Dizendo isso, Kiara foi até a sala de jantar, pegou o celular de Sabrina Batista e o entregou nas mãos dela.
— Ligue você mesma para ela.
Sem dar espaço para resposta, Kiara deu as costas e voltou para seus afazeres na cozinha.
A tela escura do celular refletia o semblante conturbado de Sabrina Batista.
Após um longo momento, ela respirou fundo e caminhou até a varanda.
Sabrina Batista discou o número de Oceana Reis, e a chamada foi atendida antes do terceiro toque.
— Quem é? — A voz do outro lado não pertencia a Oceana Reis, mas a um garotinho.
— Eu gostaria de falar com a Oceana Reis, por favor.
Após alguns segundos de silêncio, a voz irritada do garoto soou: — Eu sei quem você é. Você é a única amiga da minha irmã. Mas meus pais não deixam mais ela ter contato com você.
Sabrina Batista ficou momentaneamente sem palavras.
— Minha irmã não vai mais brincar com você. Não ligue mais para ela!
Dito isso, o garoto desligou na mesma hora.
— Ei... — Sabrina Batista nem teve tempo de protestar antes de ouvir o som ríspido da chamada encerrada.
Ela tentou ligar de novo, mas a ligação já não completava.
Sabrina Batista quis enviar uma mensagem para Oceana Reis, mas não sabia o que escrever.
Deveria aconselhá-la a parar de investigar e seguir o plano de Marcel Couto e Elisa Sousa, mudando-se para o exterior para viver o resto de seus dias em paz?
Mas por que ela faria isso?
Quem seria capaz de apagar a dor dos mais de vinte anos perdidos em que Oceana Reis viveu longe de seus pais?
E quanto ao sofrimento prolongado de Elisa Sousa? Quem pagaria por essa conta?
Agora eles haviam se reencontrado, mas, se não tivessem, e vivessem uma vida inteira de lamentos, quem assumiria a responsabilidade?
Ela desejava que a verdade, qualquer que fosse, não abalasse a sólida amizade que construíra com Oceana Reis ao longo dos anos.
Entretanto, ela não tinha o direito de se isentar. Mesmo que também sofresse as consequências, Sabrina sabia que não podia fingir que não tinha nada a ver com aquilo.
Naquela mesma tarde, Luiz Moreira enviou uma mensagem confirmando que havia abafado com sucesso a declaração de Wesley Couto no salão ancestral da Família Couto de que também havia perdido uma filha.
As curvas recentemente mais volumosas lhe conferiam uma sensualidade misturada com um ar de inocência.
O pomo de adão de Henrique se moveu quando ele engoliu em seco, e seus olhos escureceram.
— Eu já terminei o banho, pode ir para o seu quarto descansar.
Sabrina Batista caminhou até o outro lado da cama e diminuiu ainda mais a intensidade da luz.
— Voltar para onde? — Henrique Ramos deitou-se na outra beirada da cama. — Vou dormir aqui hoje.
— De jeito nenhum. — Sabrina Batista rejeitou prontamente. — Nós combinamos, é apenas uma troca de interesses.
Henrique Ramos apoiou a cabeça em uma das mãos e respondeu com seriedade: — Exatamente.
Uma troca de interesses. E, naquele momento, o que Henrique queria dela era bem claro.
— Exatamente o quê? — Sabrina Batista não compreendeu, incapaz de decifrar o olhar enigmático dele e o que aquilo subentendia.
Henrique Ramos pigarreou e repetiu as palavras dela: — Troca de interesses.
Após alguns segundos de silêncio denso, as orelhas de Sabrina Batista ficaram ardentes de tão vermelhas.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!