— Certo, então vou entrar primeiro — disse Kiara, pegando a criança imediatamente.
Percebendo o clima tenso, ela contornou o Casal Couto após pegar o bebê.
— Vamos conversar em casa. Não é apropriado falar aqui na frente de estranhos.
— Quem diria que a intuição da sua mãe estaria tão certa — comentou Wesley Couto, olhando para Sabrina Batista. — Ela teve uma sensação diferente sobre você desde o início. Vamos para casa logo, ela já deixou tudo preparado.
— Não precisamos levar nada. Basta que você e a criança voltem conosco — concordou a Senhora Couto, acenando com a cabeça.
— Por favor, sentem-se.
Sabrina Batista indicou o sofá para que eles se acomodassem.
Ela empurrou dois copos de água morna na direção do casal.
Wesley Couto e a Senhora Couto trocaram um olhar antes de finalmente se sentarem.
— Durante todos esses anos, nós estivemos em dívida com você. Se... se você estiver magoada, pode fazer as exigências que quiser. Não importa o quê, contanto que volte para casa conosco!
A Senhora Couto inclinou o corpo na direção de Sabrina Batista.
— Senhor Couto, Senhora Couto, sinto muito — disse Sabrina Batista, sentada com a postura ereta e uma expressão impassível. — Eu não fiz o teste de DNA porque acredito que vocês cometeram um grande equívoco. Nunca ouvi dizer que a Família Couto tinha outra filha. Além disso, fui encontrada pela diretora do orfanato em uma montanha lá na Capital, eu fui abandonada. Mesmo que vocês tenham perdido uma filha, essa pessoa jamais seria eu.
Quer a filha deles tivesse se perdido, sido sequestrada ou roubada, ela não teria sido abandonada tão longe, na Capital.
— Com certeza houve algum mal-entendido que os levou a deixá-la na Capital. Eles não queriam cometer um assassinato, apenas queriam impedir que nos reencontrássemos!
A Senhora Couto afirmou isso sem a menor hesitação.
— Durante todos esses anos, não houve um só momento em que não pensássemos em você. É assim que você retribui a nós, seus pais? — O semblante de Wesley Couto escureceu na mesma hora.
— É como dizem, a distância esfria o afeto... Crescer longe de nós e viver naquele orfanato deixou você com um coração tão duro. Isso dói tanto no peito da sua mãe... — A Senhora Couto piscou os olhos com força, deixando as lágrimas rolarem pelo rosto.
— Então considerem que eu falhei com vocês.
— Além do mais, vocês ainda têm o Francisco Couto. Não fiquem tão tristes — acrescentou Sabrina Batista, mantendo o rosto inexpressivo.
— Ele é ele, e você é você... — interveio a Senhora Couto.
— É mesmo? Se tratam os filhos com tanta igualdade, por que ninguém nunca soube que você esteve grávida de uma menina? Todo mundo acha que o Francisco Couto é o único herdeiro da Família Couto.
Sabrina Batista a interrompeu friamente.

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