— Oceana, você e o Vinicius são tudo para mim e para o seu pai. Vocês são o nosso ponto fraco. Nós podemos abrir mão de qualquer coisa, mas não podemos arriscar a segurança de vocês...
— Mesmo que não busquemos vingança, não deveríamos pelo menos descobrir o que aconteceu no passado? Vocês são tão pacíficos, por que eles fariam isso? Fazer isso com a Sabrina... Enfim, se eu não descobrir a verdade, não irei embora
— interrompeu Oceana Reis.
O rosto de Elisa Sousa estampou desespero.
— Se você faz questão de saber a verdade, o papai pode investigar — declarou Marcel Couto, com o rosto sério, pousando os pauzinhos na mesa.
— Tudo bem — concordou Oceana Reis, assentindo. — E sobre o que vocês disseram mais cedo, que a Sabrina Batista mais cedo ou mais tarde voltaria para a Família Couto, o que queriam dizer com isso?
— Imagino que, a essa hora, alguém já deva ter ido atrás dela — disse Marcel Couto, levantando o pulso e checando o relógio.
O rosto de Oceana Reis fechou-se em uma expressão sombria.
— Não vamos falar dela. Vamos comer — interveio Elisa Sousa, cujo rosto empalideceu levemente à menção de Sabrina Batista.
— Vou ao banheiro — disse Oceana Reis, levantando-se.
Ela fechou a porta, tirou o celular do bolso e discou o número de Ricardo Carneiro.
Infelizmente, a chamada para Ricardo Carneiro não completava de jeito nenhum.
Rangendo os dentes, ela enviou uma mensagem para Henrique Ramos.
[Proteja a Sabrina e o bebê, ou você vai se arrepender pelo resto da vida!]
——
Daniela Vieira chegaria à Cidade S no dia seguinte.
Agindo pelas costas de Henrique Ramos, ela ligou para Luiz Moreira.
— Achei que você não fosse atender à minha ligação.
— A Presidente Vieira está brincando — respondeu Luiz Moreira, com a testa coberta de suor frio.
Como ele ousaria não atender? Poderia até fugir daquela ligação esta noite, mas não conseguiria escapar da chegada de Daniela Vieira à Cidade S no dia seguinte!
— Depois de tanto tempo, não acredito que você não tenha descoberto nada — disse Daniela Vieira, referindo-se à relação entre a gravidez de Sabrina Batista e Henrique Ramos.
— Descobri algumas coisas, sim, mas nada concreto... — gaguejou Luiz Moreira antes de finalmente soltar: — De acordo com a data prevista para o parto da Secretária Batista, durante os dias em que ela concebeu, ela e o Senhor Ramos estiveram no mesmo hotel.
Com as mãos nos bolsos, Henrique Ramos encarava Luiz Moreira com um olhar tão denso que parecia capaz de afogar um homem.
— Se... Se... Senhor Ramos — gaguejou Luiz Moreira, com o rosto pálido como as cinzas.
— Que bela história de 'não conseguimos mais nenhuma informação' — rosnou Henrique Ramos de dentes trincados, a linha da mandíbula rigidamente desenhada.
Os dentes de Luiz Moreira batiam incontrolavelmente.
Se Sabrina Batista estivesse mesmo naquele hotel estranho onde ele passara a noite, e se algo tivesse acontecido entre eles, tudo passaria a fazer sentido.
Até aquele sexto sentido, que quase o levara à loucura, de repente ganhava fundamento!
*Ding-dong*.
Uma notificação soou. Henrique Ramos tirou o celular do bolso e, ao ler a mensagem, suas pupilas se contraíram drasticamente. Ele se virou e saiu a passos largos.
— Senhor Ramos, para onde o senhor vai?
Com medo do que poderia acontecer, Luiz Moreira correu atrás dele: — Não há provas concretas sobre isso, não aja por impulso, por favor!

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!