— Oceana, o papai vai levar você para casa, está bem?
— Seu irmão está esperando por você em casa, e mandei prepararem muitas coisas gostosas — disse Marcel Couto, olhando para Oceana Reis com ternura.
— Seu pai e eu vamos levar você e o bebê para casa — disse Elisa Sousa, assentindo repetidamente. Oceana Reis tinha um filho e nunca havia escondido isso. Ao saber que a filha tinha tido um filho sem se casar, Marcel Couto sentiu o coração doer ainda mais.
A culpa era toda dele por não ter protegido bem a filha durante todos aqueles anos.
— Eu... me desculpem, ainda estou um pouco desconfortável e não consigo mudar a forma de chamá-los tão rápido.
Oceana Reis os aceitava, mas não conseguia chamá-los de 'pai' e 'mãe'.
— Não tem problema, leve o tempo que precisar. Já estamos reunidos e ainda temos muito tempo pela frente.
Um traço de decepção cruzou o rosto de Elisa Sousa, mas logo desapareceu.
Ela era a mãe, a filha era uma parte do seu próprio corpo.
Após mais de vinte anos sem se verem, ela sequer conseguia imaginar como a filha seria.
Para Oceana Reis, 'mãe' era apenas um substantivo sem qualquer forma concreta, o que tornava tudo ainda mais estranho.
— Isso mesmo, um passo de cada vez.
— Oceana, qualquer coisa que tivermos para conversar, falaremos em casa — propôs Marcel Couto mais uma vez, após observar o ambiente ao redor e franzir levemente a testa ao cruzar o olhar com Sabrina Batista.
— E o bebê? — perguntou Elisa Sousa, assentindo.
— Ainda está dormindo, a babá está com ele.
— Eu gostaria de conversar um pouco com vocês primeiro — disse Oceana Reis, apontando para uma porta fechada no final do corredor.
Elisa Sousa, que estava prestes a ir ao quarto do bebê para pegá-lo, parou ao ouvir essas palavras e olhou para Marcel Couto.
O casal trocou um olhar e voltou a atenção para Oceana Reis.
— Pode falar.
Marcel Couto e Elisa Sousa permaneciam de pé o tempo todo.
Pareciam não estar dispostos a se sentar para uma longa conversa, demonstrando uma pressa evidente de levar Oceana Reis para casa.
— Sentem-se.
A reação dela foi imediata e dura, sem esconder a rejeição.
— Oceana, não aja por impulso.
— Eu sei que você se preocupa em me deixar sozinha com o bebê, mas sou uma adulta, não tem problema. Se você realmente não estiver tranquila, deixe a Kiara comigo. De qualquer forma, não posso ir para sua casa com você — disse Sabrina Batista, soltando a mão de Oceana Reis.
— Por que não?
— Durante todos esses anos, nos dias em que vocês não estiveram ao meu lado, eu e ela estivemos juntas a cada momento. Ela não é apenas como uma irmã, ela é minha irmã de verdade — declarou Oceana Reis, sem discutir com a amiga, mas voltando o olhar para Elisa Sousa.
— Oceana... — Elisa Sousa abriu a boca para falar algo, mas pareceu não saber por onde começar.
— Oceana, a situação é a seguinte: nós planejamos levar você para morar no exterior, e como o trabalho da Senhorita Batista é aqui no país, não seria conveniente para ela se mudar — interrompeu Marcel Couto.
— Morar no exterior? Por quê? — Oceana Reis ficou perplexa.
— Nós temos os nossos motivos...
— Que motivos? — retrucou Oceana Reis. — Durante todos esses anos, vocês achavam que eu estava morta. Alguém com certeza armou tudo isso por trás dos panos, nos separando por mais de vinte anos. O que vocês pretendem fazendo eu ir para o exterior? Acaso não vão investigar o que realmente aconteceu no passado?

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