ARES BECKETT
Eu observei a cena com os braços cruzados para me impedir de colocar as mãos em ação. Vi o momento exato em que Rubi suspirou, derrotada pelo próprio coração mole, e acenou com a cabeça.
— Tudo bem, Domênico. Eu faço o desfile amanhã.
O estilistazinho de loja de bairro soltou um suspiro tão dramático que parecia ter acabado de ser resgatado de um naufrágio. Os olhos dele brilharam de alívio e ele abriu os braços, dando um passo à frente com a clara intenção de abraçar a minha esposa.
Ah, mas nem por cima do meu cadáver!
Dei um passo largo e rápido, enfiando meu corpo perfeitamente no meio dos dois.
— Ótimo, problema resolvido. Já que terminaram a reunião de negócios no meio da rua, nós já vamos. — declarei, cortando a alegria do estilistazinho.
Peguei a mão de Rubi, sem dar ao Bane a chance de dizer mais um "a", e a puxei em direção à calçada para chamarmos um táxi.
— Você poderia ser mais educado? Nem consegui me despedir. — Rubi bufou, soltando sua mão da minha.
— Você já o viu sendo educado comigo? Por que só eu devo ser educado?
— Nossa que infantil... — Sussurrou baixo e fingi não ouvir.
...
No dia seguinte, o saguão alugado pela Bane Fashion era um verdadeiro hospício. Gente correndo com tecidos, gritando em francês, brigando com araras de roupas e tropeçando em cabos. E no meio desse inferno, lá estava eu, sentado em uma poltrona no canto da sala de ensaios, com as pernas cruzadas, assistindo a minha esposa.
Rubi andava de um lado para o outro em um salto agulha, ouvindo as orientações de uma instrutora de passarela carrancuda.
De repente, ela parou no meio da sala, colocou as mãos na cintura e me lançou um olhar torto.
— Ares, você não tem nenhum trabalho para fazer, não? — ela questionou, erguendo uma sobrancelha. — Uma empresa multinacional para administrar, um setor para comprar, qualquer coisa do tipo?
Suspirei pesado, esfregando as têmporas com os dedos.
Ser um "cara legal", gentil e que respeita o espaço da esposa era imensamente difícil. Eu estava me esforçando para gabaritar aquela lista do homem ideal dela, mas a minha natureza sombria pedia o oposto o tempo todo. Lobo não vira cordeiro só porque quer ser. A minha vontade real era expulsar todo mundo daquela sala, jogar Rubi num jatinho e trancá-la na nossa mansão onde só eu pudesse vê-la.
De repente, a voz animada dela cortou os meus pensamentos possessivos.
— Ares! — Rubi acenou para mim do outro lado da sala, com um sorriso radiante no rosto suado, apontando para a instrutora. — Ela disse que agora eu fui perfeita!
O sorriso largo dela espantou toda a minha nuvem negra.
— Mas é claro que foi! Eu não esperava nada menos que a perfeição vindo de você! — respondi em voz alta, sorrindo de volta.
Me ajeitei na poltrona, voltando a encará-la com fascínio.
Se eu não posso virar um cordeiro, será que eu deveria tentar ser um lobo vegetariano?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!