RUBI MONTENEGRO
— Meu olhar te deixa tão nervosa que precisa sair correndo, esposa?
— Não — respondi, tentando empurrá-lo. — Só me incomoda ter qualquer pessoa me encarando sem motivo. Principalmente uma que começou a me preocupar constantemente com seu comportamento.
Ares arqueou uma sobrancelha.
— O que tem de errado com o meu comportamento?
— O que não tem de errado com ele? — retruquei. O homem anda com umas mudanças de personalidades malucas, manda presente vazio e agora fica me seguindo e encarando igual um psicopata, como não me preocupar? — Me solta, Ares.
Ele sorriu de lado.
— Eu só solto se você me der um beijo na bochecha.
Suspirei, frustrada.
— Essa brincadeira não tem graça. O que você quer, afinal?
— Os fins de semana são para passarmos juntos. Estou apenas seguindo a minha esposa para compartilharmos um tempo de qualidade.
— Ok. Continue me seguindo onde quiser, mas evite me tocar.
— Concordo — ele murmurou, sem afrouxar o aperto —, mas repito que só vou te soltar se receber um beijo na bochecha.
— Isso é sério?
— Claro que sim.
Pensei um pouco sobre qual opção era mais irritante: dar o beijo na bochecha ou esperar ele cansar e me soltar? A resposta era óbvia: dar uma joelhada nos países baixos dele.
E foi exatamente o que eu fiz.
Levantei o joelho sem nenhuma piedade e acertei seu ponto fraco.
Ares soltou um gemido engasgado, me largou na mesma hora e caiu sentado na poltrona, segurando o meio das pernas. Como esperado a terceira escolha é a correta.
— Bem feito. — falei, arrumando a minha blusa. — Quem sabe assim você para de ser tão descarado.
Ele ofegava, com o rosto contorcido.
— Você tem que pensar antes de agir, Rubi. E se isso diminuir as chances de te engravidar? O que serão dos nossos filhos?
— Isso não é da sua conta.
— Seja mais amigável, querida. — ele pediu. — Você agora a pouco me deu um chute no meio das pernas.
— Você mereceu, então não te devo nada.
Ele bufou.
— Ô mulher difícil... — Sua careta logo se transformou em um sorriso arrogante. — Acho que sei por que você não quer me contar. É porque a descrição do seu homem ideal seria exatamente como eu.
— Continue sonhando — falei, mas decidi acabar logo com o ego dele. — Não ligo para físico. O meu homem ideal só precisa de qualidades na personalidade, coisas como: ser gentil, honesto, inteligente, generoso, educado, e alguém que me ame e me respeite. Nada de outro mundo, mas bem difícil de achar.
Ares me olhou com uma expressão de pura convicção.
— É aí que você se engana. Porque você acabou de descrever exatamente a mim.
Pisquei algumas vezes, processando a cara de pau daquele homem. Um sorriso automático surgiu nos meus lábios e, no segundo seguinte, eu caí na gargalhada.
Ares franziu a testa, ofendido.
— Qual é a graça?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!