RUBI MONTENEGRO
Mais um mês se passou. Três meses de casamento, três meses de solidão.
Eu estava na sala, quando o telefone fixo tocou. Ninguém estava por perto, então atendi.
— Alô?
— Graças a Deus! — Uma voz feminina berrou do outro lado. — O senhor Beckett esqueceu a pasta vermelha! O jantar beneficente já começou e se esses contratos não chegarem em dez minutos, ele me demite!
— O Ares não... — tentei intervir, mas a mulher estava em modo turbo.
— Quem fala? A faxineira? Não importa! Escute, pegue um táxi, um helicóptero ou voe, mas traga essa maldita pasta para o Hotel Grand Palace agora!
A linha ficou muda.
Fui até o escritório proibido e encontrei a tal pasta sobre a mesa.
Essa era a minha chance. Se eu salvasse a noite dele, talvez ele me visse como algo além de uma inútil.
Agarrei a pasta e chamei um táxi.
Quando cheguei ao Grand Palace. Desci do táxi e olhei para mim mesma. Eu vestia minha fiel calça de moletom e um casaco bege que parecia uma barraca de acampamento, ideal para esconder minha figura. Eu era a definição de "mendiga chique", só que sem o chique.
Caminhei até a entrada, mas um segurança que parecia um armário de duas portas cruzou os braços, bloqueando minha passagem.
— A distribuição de sopa é dois quarteirões para baixo, senhora.
— Não... eu sou a esposa de Ares Beckett — gaguejei, sentindo minhas bochechas pegarem fogo. — Trouxe um documento para ele.
O segurança soltou uma risada nasalada, olhando para o teto como se pedisse paciência.
— Esposa do Sr. Beckett? Com certeza. E eu sou a Fada do Dente. Dê o fora.
— É verdade! — Ergui a pasta como se fosse o Simba no topo da pedra. — Olhe o logotipo dourado!
O homem estreitou o olhar para o brasão da Beckett Industries. Relutante, e com uma careta de quem chupou limão, ele baixou o braço.
— Vá rápido antes que eu me arrependa.
Entrei no salão de baile. Eu parecia um pingo de tinta suja numa tela branca. Todos brilhavam em diamantes e smokings.
— Sinto muito...
— Vá embora — ele ordenou, apontando para uma porta de serviço com nojo. — Saia pelos fundos, junto com o lixo. É onde você se camufla melhor.
Ares voltou para o salão, onde Diana o esperava com um sorriso de gata que comeu o canário, e a envolveu pela cintura.
Segurei o choro até cruzar a porta. Saí em um beco úmido, cercada por latas de lixo e caixas de papelão. O cenário combinava perfeitamente com meu estado de espírito.
Parei em frente ao vidro escuro de uma janela. Vi meu reflexo. Vi a mulher gorda, com roupas que caberiam duas de mim, cara de choro e postura de derrotada.
Peguei meu celular. Abri o aplicativo do banco. O saldo da conta brilhava na tela com muitos zeros. O "cala a boca" mensal que Ares me pagava.
Sequei as lágrimas com a manga do casaco e a tristeza começou a dar lugar a determinação.
Você quer que eu desapareça, Ares? Tudo bem. O show acabou.
Olhei para a "Rubi Gordinha" no vidro uma última vez.
— Considere a antiga Rubi morta e enterrada.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!