ARES BECKETT
Eu estava encostado em uma coluna, longe o suficiente para não ser abordado por idiotas, mas perto o suficiente para ver cada detalhe daquele espetáculo.
Olhar para Rubi no palco era uma tortura. Ela estava deslumbrante naquele vestido branco. A forma como o tecido abraçava os quadris dela, a curva dos seios, o pescoço exposto... Tudo nela dizia: "sexo e poder".
Senti emoções tóxicas revirarem meu estômago. Orgulho, porque aquela mulher espetacular carregava o meu sobrenome. Ela era minha esposa. Mas o ódio pulsava junto, quente e amargo, porque ela estava brilhando para o mundo inteiro ver, segurando a mão de outro homem, e não a minha. Ela estava feliz sem mim. E isso era imperdoável.
— Bravo! — alguém gritou ao meu lado.
Trinquei os dentes. Eu queria subir naquele palco, jogar Domênico para fora e reivindicar o que era meu na frente de todos.
De repente, uma movimentação estranha perto do bar chamou minha atenção.
Diana.
Ela entrou no salão andando cambaleante, visivelmente alterada. O vestido vermelho que ela usava estava amassado. Ela segurava uma taça de vinho tinto cheia até a borda.
— Ah, não... — murmurei.
Ela fixou os olhos em Rubi, que tinha acabado de descer do palco e estava recebendo cumprimentos. O ódio no rosto de Diana era visível. Ela começou a caminhar em linha reta em direção à minha esposa.
Desencostei da coluna e comecei a abrir caminho entre as pessoas.
— Diana! Pare! — tentei chamar, mas a música ambiente e o barulho das conversas abafaram minha voz.
Ela foi mais rápida. Diana chegou na frente de Rubi. Rubi sorriu, achando que era algum convidado, mas o sorriso morreu quando reconheceu minha ex-amante.
— Você acha que é especial, sua gorda?! — Diana gritou a ofensa para quem quisesse ouvir. — Você é uma farsa!
Antes que eu pudesse alcançar o braço dela, Diana lançou o conteúdo da taça.
O vinho tinto voou em câmera lenta. Ele atingiu o peito de Rubi e escorreu pelo vestido branco imaculado, criando uma mancha enorme, vermelha como sangue, que ia do decote até os joelhos.
O salão inteiro engasgou e pararam a música.
Diana soltou uma gargalhada histérica.
— Pronto! Agora sim você está vestida como merece. Uma mancha!
Rubi pegou a tesoura e em seguida som do metal cortando o tecido preencheu o silêncio do salão.
Todos prenderam a respiração.
Com movimentos precisos e sem hesitar, Rubi cravou a tesoura na saia do vestido, logo acima de onde a mancha terminava.
Ela cortou a parte da frente do vestido, transformando o longo elegante em um minivestido ousado e sensual, que deixava suas pernas completamente à mostra. A parte de trás, ela deixou longa, criando uma cauda. A mancha de vinho que restou no busto parecia agora uma estampa abstrata, proposital.
Ela jogou o tecido manchado no chão, pisou em cima dele com seu salto agulha e abriu os braços para os fotógrafos.
— Acho que nossa convidada achou que o branco era clássico demais. — ela disse, alto e bom som. — Eu também prefiro algo com mais atitude. Obrigada pelo toque de cor, Diana!
A plateia foi à loucura. As palmas foram ainda mais fortes do que antes.
— Gênia! — ouvi um estilista gritar.
Fiquei parado, estático, vendo minha esposa transformar um desastre em um triunfo total. Ela era incontrolável. Indomável.
E, isso fez meu desejo por ela aumentar. Eu quero possuir cada centímetro dessa mulher.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!