Olívia largou o tecido no chão, fechou os olhos e respirou fundo. O vestido, rasgado, parecia um símbolo do que ela sentia por dentro.
Ainda com a respiração curta, deixou o banheiro e voltou para o quarto apenas de lingerie. A pele arrepiada pelo frio do ar-condicionado contrastava com o calor das lágrimas que não paravam de escorrer.
Deitou-se na cama enorme, mas que lhe pareceu um deserto. Abraçou o próprio corpo como se pudesse se proteger. O choro começou baixo, depois veio mais pesado, soluços sacudindo os ombros. Chorou até perder a conta do tempo, até não aguentar mais. Quando finalmente o sono venceu, os olhos inchados e a respiração entrecortada eram as únicas testemunhas da sua dor silenciosa.
No quarto principal da mansão, outro cenário se desenrolava. Bárbara gargalhava alto, sentada sobre a cama king size, as pernas cruzadas, o robe de seda aberto num descuido calculado. O som de sua risada percorria o corredor.
— Amor, você viu a ousadia daquela mulherzinha? — perguntou, imitando Olívia com voz fina. — “Mas quem carrega o sobrenome Holt sou eu…” — e caiu na risada. — Ela acha que é dona da casa? Que petulante! Mal sabe que fui eu quem dei a ideia desse casamento. Logo ela vai ser descartada, e aí ficamos só eu, você e nosso filho.
Liam estava sério, tirando a gravata com movimentos lentos. O maxilar marcado denunciava tensão. Passou os dedos pelos cabelos, desfazendo o penteado perfeito, e lançou um olhar rápido para Bárbara sem responder.
Ela levantou-se da cama e caminhou até ele. Pousou as mãos frias no peitoral dele, traçando linhas sobre os músculos com as unhas pintadas.
— Fiquei tão feliz quando recebi sua mensagem mandando eu vir para cá. Você nunca me trouxe aqui. — disse, manhosa. — Estava saindo do aeroporto triste, achando que ia passar mais dias sem o meu moreno lindo.
Liam respirou fundo, desviando os olhos. A voz saiu grave, controlada.
— Não quero você arrumando confusão com ela.
Bárbara fez um biquinho, mas o olhar era afiado.
— Você está muito tenso… mas eu sei exatamente como te acalmar — murmurou. Puxou-o para um beijo. Ele correspondeu por segundos, sem se entregar de verdade.
Quando se afastou, ela mordeu o lábio inferior, tentando ler sua expressão.
— O hospital me ligou — disse, com um sorriso orgulhoso. — Disseram que você esteve lá com ela. Estou feliz que nosso filho vai nascer daqui a alguns meses. Já vou cuidar da decoração do quarto do bebê.
Liam manteve o olhar neutro, uma sombra atravessando-lhe os olhos.
— Vou tomar um banho — disse apenas.
— Vou com você — disse Bárbara, o tom carregado de expectativa. — Vamos comemorar com muito sexo na banheira.
Ele virou-se, já caminhando para o banheiro.
— Bárbara, eu tenho um compromisso daqui a pouco — respondeu, sem emoção. — Mais tarde vou à sua cobertura. Você não pode ficar aqui.
Ela parou no meio do caminho, os dedos agarrando o tecido do robe.
— Deseja algo, senhor Liam? — perguntou em tom neutro.
Liam ajeitou os punhos da camisa antes de responder, a voz voltando ao controle habitual:
— Providencie um lanche para Olívia. Respeite o cardápio que a nutricionista passou. Ela é alérgica como eu. Não aceito erros. — fez uma pausa curta, o olhar cortante. — E fique de olho na Bárbara. Não quero que ela incomode Olívia. Quando meu filho nascer, esse pesadelo acaba. Qualquer coisa, me ligue.
— Sim, senhor — disse o mordomo, de imediato.
Liam pegou as chaves, saiu pela porta principal e entrou no carro. Dirigiu devagar pela alameda de árvores. A mente era um turbilhão de imagens e vozes, mas por fora mantinha o rosto impassível. Sem pensar muito, seguiu até um bar discreto na saída da cidade, um daqueles pubs típicos, de luz baixa e balcão de madeira polida, onde executivos se misturavam a caminhoneiros para beber em silêncio.
Estacionou o carro, entrou e foi direto ao balcão. Sentou-se num banco alto, pediu um uísque duplo. Quando o copo chegou, ficou olhando o líquido âmbar balançando, respirou fundo e tomou um gole. O álcool queimou a garganta, mas não apagou nada. Com a outra mão, girava a aliança no dedo, mexia nela sem parar, olhava para o anel como se fosse um peso. Voltava a beber, mais um gole, mais outro, o barulho ambiente ficando distante enquanto o turbilhão dentro dele crescia.
Liam girava a aliança sem parar, o copo de uísque parado à frente. A lembrança da mãe vinha como um eco antigo: “Filho, você só tem quatro anos, mas desde pequeno eu preciso te ensinar como se deve tratar uma mulher. Um dia você vai se casar, meu príncipe…” O calor das palavras dela, tão distantes agora, lhe apertava o peito.
Um toque no ombro interrompeu o pensamento.
— Fala aí, cara! — disse um conhecido do mercado naval, rindo. — O grande Rei dos Mares foi fisgado por uma sereia? Com todo respeito, meu amigo… mas que mulherão você casou! Dou parabéns e te desejo sorte.
Liam deu meio sorriso, levantou o copo num gesto de agradecimento, mas por dentro a lembrança da mãe e as palavras do conhecido soavam como ferro batendo no mesmo lugar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...