Fernanda se intrometeu.
Aparentemente num tom de repreensão carinhosa, mas na verdade chamando a atenção de Martim Torres.
Tainá finalmente percebeu de onde Laura havia tirado aquela habilidade de inverter o certo e o errado e distorcer a verdade no dia a dia; claramente era a verdadeira herdeira das artimanhas de Fernanda.
Como esperado, o olhar de Martim não foi nada gentil. Justo quando ele estava prestes a explodir, Tainá parou de andar: — Distante? Isso não é nada. É mil vezes melhor do que ter um coração tão malicioso a ponto de empurrar o próprio irmão para o fundo do poço com as próprias mãos.
— O que você quer dizer com isso?
Fernanda cravou os olhos em Tainá, como se quisesse ler a sua alma.
— O que eu quero dizer, você não sabe? Oh, é verdade, você provavelmente não sabe mesmo. Pelo menos até agora, a Laura não vai te contar as atrocidades que ela faz. E a Laura agora, muito provavelmente, ainda não sabe o que você é dela.
Tainá não tinha a intenção de tornar pública a relação de Fernanda com Laura naquele momento.
Mas, ao ver as pessoas envolvidas, e lembrar-se de tudo o que sofreu em sua vida passada e na presente, a raiva a consumiu.
— Que monte de besteiras você está falando? E mais, quem empurrou o próprio irmão para o fundo do poço?
Os olhos de Martim se arregalaram. C-Como ela sabia do segredo sobre a origem de Laura?
— Se estou falando besteira ou não, basta investigar. Oh, claro, você provavelmente não vai investigar, porque não importa o que o filho bastardo de vocês faça, vale sempre a pena encobrir.
Os dois a encararam embasbacados. Será que ela sabia a verdade? Ou estava apenas blefando?
— Tainá, falar sem pensar atrai punição divina.
— Punição divina? Essas palavras deveriam ser enviadas para a sua dita cuja afilhada. Só para ela não morrer de forma trágica.
— Você...
Fernanda ficou vermelha de raiva, mas não ousou rebater.
Pois, quanto mais aprofundasse na história, se falasse mais alguma coisa, Tainá poderia expor ainda mais segredos.
No meio do alvoroço, Viviane Lopes ouviu a confusão e saiu do quarto de hospital: — Tainá, veio ver o seu quarto irmão?
— Não, foi só uma coincidência eu estar passando por aqui.
Fernanda agarrou o braço de Viviane Lopes com rapidez: — Senhora, esbarramos com a mocinha na porta, conversamos algumas palavras e só.
Já que Fernanda não queria mencionar a conversa de momentos antes, Tainá também não queria torná-la pública por enquanto. Levou os dois guarda-costas e virou as costas para ir embora.
— Tainá...
A voz de Viviane Lopes ressoou atrás deles.
Porém, Tainá não deu ouvidos a ela. Às vezes, a ignorância também é um crime, e a dela não era apenas ignorância.
Ao saírem do prédio de internação, o trio atravessou o agitado saguão do térreo. Quando passaram pelas portas da frente, Nero perguntou: — Você quebrou o silêncio com aquelas duas pessoas, não tem medo de que eles te matem para te silenciar?

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